SEM AJUDA

Justiça suspende auxílio emergencial adicional para população do Amapá

Jair Bolsonaro visitará estado neste sábado (21), mais de duas semanas após início da crise

Na decisão, desembargador afirmou que extensão do auxílio poderia causar “grave lesão à economia pública” | Crédito: Foto: Rudja Santos/Amazônia Real

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região derrubou nesta sexta-feira (20) decisão da Justiça Federal do Amapá que havia prorrogado o auxílio emergencial de R$ 600 por mais dois meses para famílias carentes do estado atingidas pelo apagão.  

A determinação do desembargador Italo Fioravanti Sabo Mendes, presidente do tribunal, atendeu recurso apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU). A medida era válida para moradores dos 13 municípios atingidos pela crise energética há 18 dias e que continuam sem abastecimento constante da eletricidade.

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Segundo o governo, a extensão do auxílio resultaria em um custo estimado de R$ 418 milhões sem que haja previsão orçamentária para tal. 

No pedido, a AGU argumentou que o pagamento causaria "grave lesão à ordem" pública jurídica, administrativa e social e à economia pública.

A defesa do governo disse ainda que um benefício social não poderia ser determinado por uma decisão judicial, argumento endossado na decisão do desembargador.  

Sabo Mendes também destacou o impacto orçamentário apresentado pelo governo. "Vislumbra-se, na espécie, a possibilidade da ocorrência de grave lesão à economia pública", escreveu o presidente do TRF-1. 

Visita tardia 

Mais de duas semanas após o início da crise energética, o presidente Jair Bolsonaro visitará o Amapá neste sábado (21), atendendo a um convite de Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado. 

Após o bloqueio do auxílio emergencial, o governo deve propor a isenção da tarifa de energia elétrica no mês de novembro para os consumidores afetados pelo blecaute. Os custos serão repassados à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo destinado a políticas públicas do setor. 

Também há expectativa de que Bolsonaro anuncie a antecipação de benefícios para a população amapaense, como, por exemplo, abono salarial, saque das contas do FGTS, seguro-desemprego e benefícios previdenciários. 

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Na terça-feira desta semana (17), enquanto a população enfrentava o racionamento de  energia em horários alternados, houve um novo apagão generalizado. O quadro foi revertido em cerca de cinco horas, quando a energia voltou ao regime de rodízio.

De acordo com Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energias, o prazo atual para a normalização total do serviço é 26 de novembro.

Denúncia

A Escola de Formação Sindical da Central Única dos Trabalhadores Chico Mendes, na Amazônia, manifestou-se em solidariedade à população do Amapá e cobrou respostas mais efetivas do Poder Público para sanar a crise. 

Em posicionamento publicado após o quinto encontro do "Ciclo de Debates Quartas Freireanas – Esperançar, organizar e construir um mundo novo para trabalhadoras e trabalhadores”, realizado no último 18 de novembro, a entidade afirma que “o Amapá é símbolo de como esse país trata a região Norte e seus povos.” 

“E se o apagão fosse em São Paulo, no Rio de Janeiro ou no Rio Grande do Sul que o povo do estado todo ficasse 17 dias sem energia, sem internet, sem água e sem comida? O que aconteceria? Quanto tempo demoraria para resolver a situação e reestabelecer a energia?”, questiona a organização.

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A escola da CUT também critica a construção de hidrelétricas na região amazônica sem consentimento da população, que, ainda assim, sofre com a falta de energia em alguns momentos.

O posicionamento também alerta sobre impactos negativos do processo de privatização do sistema de energia e de água em todo país. 

“Denunciamos o genocídio que está sendo implantando no Amapá com a negação dos direitos básicos de acesso à água e à energia no estado banhado pelo Rio Amazonas, um dos maiores rios do mundo”, registra o texto.

Editado por: Rodrigo Chagas

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