Hidrelétricas

Ratinho Jr. impõe aprovação de hidrelétricas mesmo com parecer contrário do MP e ALEP

Em um mesmo ano, governo enviou projetos para construção de mais de 20 empreendimentos para geração de energia

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Pacotão do governo autoriza novas hidrelétricas mesmo com pareceres contrários | Crédito: AEN

Na inauguração da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Bedim, em Renascença, Sudoeste do Paraná, o governador Ratinho Jr. destacou que dezenas de empreendimentos hidrelétricos foram liberados desde 2019 e reforçou que “os processos de liberação são feitos com a celeridade que os empreendedores precisam.” Porém, essa pressa tem sido questionada por ambientalistas, movimentos sociais, parlamentares e pelo Ministério Público. 

No final de novembro, o governo enviou à Assembleia Legislativa (Alep) projeto solicitando a aprovação da construção de sete novos empreendimentos hidrelétricos, seis na Bacia do Iguaçu e um no Rio Piquiri. Foi aprovado por 39 votos a 7, mesmo com parecer contrário da Comissão de Meio Ambiente e sem consulta à população atingida. 

Para o deputado Goura (PDT), presidente da Comissão de Meio Ambiente, há um enorme descaso com a questão ambiental. “Ao impor a aprovação de novas hidrelétricas, mesmo com parecer da comissão e nota técnica do Ministério Público contrários”, explicou. O parecer da comissão pedia que cada empreendimento fosse analisado um a um, e não em conjunto, por envolverem obras e locais distintos, com impactos diferentes. 

O MP questionou a existência de licenças sem que a Alep aprove a construção dos novos empreendimentos. E ainda que “o Poder Executivo (autor da proposta) sustenta que a aprovação do PL atende ao “desenvolvimento econômico” e à “inclusão social” na região da instalação, porém nada mais explica a respeito.” 

 

Para MAB, falta diálogo  

Maristela Costa, coordenadora do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), no Paraná, lamenta a ação do governo. “É lamentável que uma proposta dessa natureza tenha sido aprovada numa pandemia e sem diálogo com as populações atingidas”, diz. E relata violações feitas nessas obras. “Nesse cenário de inúmeras construções de barragens, identificamos violações às populações atingidas , seja pela construção, seja pelo funcionamento desses empreendimentos. Temos intensiva exploração dos bens naturais, uma apropriação pelo capital das nossas bacias hidrográficas, ausência de normas e diretrizes que assegurem os direitos das populações atingidas, sem falar das altas tarifas de energia elétrica que pagamos.” 

 

Editado por: Fredi Vasconcelos
Grupos de Trabalho da APUFPR

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