Solidariedade

Radinho BdF compartilha histórias de solidariedade feita por crianças

Edição apresenta como o contexto de pandemia de covid-19 influenciou o olhar solidário também no público infantil

Ouça o áudio:

“Diminuir a desigualdade seria ótimo porque reduziria a pobreza", diz Victor - Deposit Photos
Eu me sinto bem feliz sabendo que outra pessoas vão ter comida para comer e não vão passar fome

Para além dos problemas sanitários, políticos e econômicos, a pandemia do novo coronavírus também criou uma onda de solidariedade em todas as regiões do país, incentivando campanhas de doação de alimentos, máscaras e produtos de higiene.

As ações solidárias em plena pandemia estão contando também com muitas crianças que arregaçaram as mangas e, dentro de suas possibilidades, fazem a diferença para quem mais precisa. São algumas dessas histórias inspiradoras de solidariedade que fazem parte da edição de hoje (12) do Radinho BdF.

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“Diminuir a desigualdade seria ótimo porque reduziria a pobreza. Aquela pessoa que fica na rua pedindo dinheiro não ia estar mais lá, ela ia ter emprego, casa e comida na mesa. Isso significaria mais pessoas com acesso a saúde, a educação e várias outras coisas que a gente considera essencial. Elas iam viver melhor e viver melhor é o objetivo de todos nós”, conta Victor Machado Faria, de 12 anos.

Em um cenário de aumento do desemprego e de diminuição da renda de muitas famílias, crianças criaram suas próprias ações sociais. Elas foram convidadas a contar porque perceberam que era importante somar esforços em ações de solidariedade.

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“Nossa campanha começou com uma parceira da escola com o Coletivo Luzia, que famílias em vulnerabilidade social, em especial as chefiadas por mulheres. Nós começamos fazendo a campanha pelo Instagram para conseguir arrecadar cestas básicas, kits de higiene e kits de limpeza”, conta Luara Tamessawa, de 12 anos, moradora de Curitiba (PR).  “Tinha muita gente precisando de ajuda porque muitas famílias perderam sua renda fixa durante da pandemia e não conseguiram mais se sustentar”, completa. 

Doações do MST

Uma das maiores campanhas de solidariedade realizadas no país durante a pandemia do novo coronavírus foi posta em prática pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O combate à fome se tornou a principal tarefa do MST desde o ano passado e as outras prioridades do movimento foram deixadas para mais tarde, afinal “quem tem fome tem pressa”.

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A partir daí, o MST mobilizou milhares de pessoas, em especial assentados da reforma agrária, e conseguiu doar ao menos 4 mil toneladas de alimentos saudáveis e 700 mil marmitas até agora, garantindo comida no prato de muita gente.

“Eu ajudo minha mãe a arrumar cesta, a colher e uma vez doei brinquedos. Na cesta vem mamão, limão, bastante fruta, verdura, legume, mandioca, batata, leite, arroz, pão...”, conta Pedro Camilo Moreira, que tem 8 anos e mora no Assentamento Maria Lara, no município de Centenário do Sul, no Paraná. “Eu me sinto bem feliz sabendo que outra pessoas vão ter comida para comer e não vão passar fome.”

Você conhece o padre Júlio Lancellotti?

A edição de hoje do Radinho BdF apresenta aos ouvintes um personagem chave quando falamos de solidariedade: o padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua de São Paulo. Durante a pandemia, mesmo sempre grupo de risco para a covid-19 por ser idoso, ele trabalhou todos os dias entregando alimentos e prestando assistência em saúde e cidadania para pessoas em situação de rua.

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Vale destacar que o padre Júlio dedicou toda a sua vida a lutar pelos direitos das pessoas que vivem na rua, denunciando violências e exigindo políticas que ofereçam abrigos seguros e oportunidades de emprego e de reencontro com a família para essas pessoas.

“A solidariedade não pode ser só pessoal e individual, embora seja muito importante. A solidariedade deve entrar na estrutura política e econômica. A nossa política e a nossa economia não é solidária, ela é seletiva e competitiva. Então é um grande desafio que temos que enfrentar para que a solidariedade esteja presente de maneira estrutural”, disse padre Júlio.

Um gigante elegante e solidário

Na voz da pedagoga e contadora de histórias Bruna Melauro, as crianças conhecem a história “O Gigante Mais Elegante da Cidade”, de Julia Donaldson e Axel Scheffler. Nesta história de amizade e solidariedade, conhecemos Jorge, um gigante que adorável, mas um pouco desarrumado.

Um dia, ele decide que é hora de mudar o visual e trocar suas roupas velhas por peças novas e muito elegantes. No entanto, enquanto volta para casa, Jorge encontra uma série de animais precisando de ajuda. O que será que acontece a partir daí?

Para completar o programa, a playlist especial do Radinho BdF coloca as crianças para dançar ao som de “Gente”, de Caetano Veloso, “Seu, meu, nosso”, da Rádio Mundo Bita e “Quem Tem Um Amigo Tem Tudo”, do Emicida e do Zeca Pagodinho.

Como ajudar?

Conforme foi prometido para os ouvintes, trazemos aqui uma lista de organizações sociais sérias para as quais você pode encaminhar doações ou realizar algum trabalho voluntário. Acompanhe conosco:

Amigos do Bem
Projeto promove ações de educação, desenvolvimento local e inclusão social com famílias no sertão nordestino.

ACNUR
Agência da ONU para refugiados promove ações de ajuda humanitária e acolhida de refugiados no Brasil.

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (PIB)
Organização recolhe e direciona doações para comunidades indígenas durante a pandemia.

Brasil Sem Fome
Campanha nacional distribui alimentos para famílias em vulnerabilidade social.

Central Única das Favelas (CUFA)
Organização reconhecida nacionalmente pela promoção de projetos sociais, esportivos e culturais em favelas brasileiras.

Cruz Vermelha
Principal instituição de ajuda humanitária do mundo, está presente em 21 estados do Brasil, prestando assistência em saúde e cidadania para a população.

Fundo ELAS na Emergência do Futuro
Projeto promove programas de médio a longo prazo para fortalecer grupos e organizações de mulheres durante a pandemia de Covid-19.

Greenpeace
ONG internacional que defende o meio ambiente e a preservação da natureza.

Médicos Sem Fronteiras
Organização internacional sem fins lucrativos oferece ajuda médica e humanitária em situações de emergência, como conflitos armados, catástrofes e epidemias.

Observatório de Favelas
Organização sediada na Favelas da Maré produz estudos que subsidiem políticas públicas para as favelas e periferias, para promover o direito à cidade.

Tem Gente com Fome
Campanha nacional de arrecadação de fundos para ações emergenciais de enfrentamento à fome, à miséria e à violência na pandemia de Covid-19.

UNICEF no Brasil
Agência da ONU trabalha para garantir direitos das crianças e dos adolescentes.


Toda quarta-feira, uma nova edição do programa estará disponível nas plataformas digitais. / Brasil de Fato / Campanha Radinho BdF

Sintonize

O programa Radinho BdF vai ao ar às quartas-feiras, das 9h às 9h30, na Rádio Brasil Atual. A sintonia é 98,9 FM na Grande São Paulo e 93,3 FM na Baixada Santista. A edição também é transmitida na Rádio Brasil de Fato, às 9h, que pode ser ouvida no site do BdF.

Em diferentes dias e horários, o programa também é transmitido na Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), e na Rádio Terra HD 95,3 FM.

Assim como os demais conteúdos, o Brasil de Fato disponibiliza o Radinho BdF de forma gratuita para rádios comunitárias, rádios-poste e outras emissoras que manifestarem interesse em veicular o conteúdo. Para fazer parte da lista de distribuição, entre em contato pelo e-mail: [email protected]

Edição: Daniel Lamir