INFLAÇÃO

Porto Alegre volta a ter cesta básica mais cara entre 17 capitais do país

Pesquisa do Dieese aponta que preço dos alimentos básicos subiu em todas as capitais nos últimos 12 meses

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS) |
Nos últimos 12 meses, a alta acumulada na capital gaúcha foi de 22,82% - Créditos da foto: Reprodução

A inflação no preço dos alimentos, sentida no bolso do trabalhador, fez com que a cesta básica de Porto Alegre voltasse a ser a mais cara entre as 17 capitais brasileiras que fazem parte da pesquisa mensal realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No mês de maio, o valor dos alimentos registrou alta de 1,73%.

Divulgada na última segunda-feira (8), a pesquisa do Dieese aponta, desde o início do ano, um aumento de 3,46% nos preços do conjunto de gêneros alimentícios essenciais na capital gaúcha. Nos últimos 12 meses, a alta acumulada chega a 22,82%.

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Dos 13 produtos que compõem a cesta básica, 11 ficaram mais caros em maio. Os itens que mais subiram foram a batata (11,60%), o tomate (11,38%), o açúcar 5,99%, a farinha de trigo (5,95%) e o óleo de soja (4,95%). Dois itens registraram redução de preço: a banana (-12,00%) e o feijão (-2,54%).


Cesta básica de Porto Alegre / Fonte: Dieese/RS

Desde janeiro, nove produtos ficaram mais caros: o açúcar (21,30%), a farinha de trigo (18,71%), o feijão (15,36%), o café (10,80%), a carne (9,95%), o pão (8,80%), o tomate (5,12%), a manteiga (1,19%) e óleo de soja (0,71%). Por outro lado, quatro itens estão mais baratos: a banana (-21,43%), a batata (-15,76%), o arroz (-0,93%) e o leite (-0,53%).

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Ao se observar o acumulado dos últimos 12 meses, todos os 13 itens da cesta registram aumento de preços. As maiores altas estão no óleo de soja, que subiu 109,60%, no arroz (65,02%), no feijão (50,17%), no açúcar (33,86%) e na carne (32,04%).

Salário mínimo deveria ser R$ 5,3 mil

A partir dos preços, o Dieese estima que o salário mínimo necessário deveria ser equivalente a R$5.351,11, valor que corresponde a 4,86 vezes o piso nacional vigente, de R$ 1.100,00.

O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças. Em abril, o valor do mínimo necessário deveria ter sido de R$ 5.330,69 ou 4,85 vezes o piso em vigor.

A jornada de trabalho média necessária para adquirir os produtos da cesta, em maio, ficou em 127 horas e 23 minutos.

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Quando se compara o custo da cesta com o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social (7,5%), verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em maio, na média, 62,60% do salário mínimo líquido para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta.

2020 registra alta de preços em 14 capitais

Entre abril e maio de 2021, o custo médio da cesta básica de alimentos aumentou em 14 cidades e diminuiu em outras duas, de acordo com a pesquisa. Por mudanças na forma de levantamento de preços em Belo Horizonte, o Dieese optou por não divulgar o valor da cesta básica nesta cidade.

As maiores altas foram registradas em Natal (4,91%), Curitiba (4,33%), Salvador (2,75%), Belém e Recife (ambas com 1,97%). As capitais onde o valor da cesta apresentou queda foram Campo Grande (-1,92%) e Aracaju (-0,26%).

As cestas mais caras, depois de Porto Alegre, são de São Paulo (R$ 636,40), Florianópolis (R$ 636,37) e Rio de Janeiro (R$ 622,76). Entre as cidades do Norte e Nordeste, as que registraram menor custo foram Aracaju (R$ 468,43) e Salvador (R$ 470,14).

Inflação nos último 12 meses

Comparando o custo entre maio de 2020 e maio de 2021, o preço do conjunto de alimentos básicos subiu em todas as capitais que fazem parte do levantamento. As maiores altas foram observadas em Brasília (33,36%), Campo Grande (26,28%), Porto Alegre (22,82%) e Florianópolis (21,43%).

Nos cinco meses de 2021, as capitais com os principais aumentos foram: Curitiba (12,68%), Natal (9,35%), Porto Alegre (3,46%), João Pessoa (3,46%) e Florianópolis (3,38%). A maior queda no mesmo período foi de -1,87%, em Salvador.


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Fonte: BdF Rio Grande do Sul

Edição: Marcelo Ferreira