cultura

Programa Bem Viver repercute entrevista com artista musical Luedji Luna

‘O racismo atravessa todas as nossas experiências’, diz a cantora. Ela lançou seu segundo trabalho, com projeção interna

Ouça o áudio:

A cantora e compositora Luedji Luna fala sobre a trajetória, novo trabalho com literatura e faz reflexões da afetividade da mulher negra presentes no álbum "Bom é Estar Debaixo D'Água" - Danilo Sorrino
O racismo é uma experiência que os corpos negros não tem como dissociar.

O racismo é uma marca presente na trajetória de toda população negra brasileira, que encontra dificuldade de se expressar com liberdade e ser quem é, no universo artístico ou em outros campos da vida. É o que defende a cantora baiana Luedji Luna, que conversou com o BdF Entrevista, com repercussão na edição de hoje (28) do Programa Bem Viver. Seu trabalho é marcado por mensagens profundas sobre discriminação racial, religiosa e de gênero.

“O racismo é uma experiência que os corpos negros não tem como dissociar. A experiência do corpo negro não é só racismo, mas o racismo é algo que atravessa todas as outras experiências, do afeto ao trabalho”, disse a cantora, que se destaca por parcerias precisas e por retomar momentos marcantes da cultura negra em seus trabalhos, como utilizar a narração um poema de Conceição Evaristo feita pela própria poeta.

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Além do talento indiscutível, as canções compostas por Luedji são marcadas por mensagem fortes e profunda, que podem ser interpretadas como uma aula de História. Os trabalhos denunciam o racista, a misoginia e a xenofobia, mas também faz homenagem e celebra a ancestralidade africana presente no Brasil.

Luedji Luna nasceu em Salvador e se mudou recentemente pra São Paulo. No final do ano passado ela lançou seu segundo trabalho, “Bom Mesmo é Estar Debaixo da Água”. São apenas dois álbuns, mas que já dão à cantora projeção internacional.

O primeiro álbum fala sobre o que ela faz questão de denominar como “diáspora negra”, ou a escravidão da população negra durante o período colonial no Brasil. Já o segundo trabalho é uma declaração ao direito de amar que, como a cantora reforça, é algo ainda negado à população negra até hoje.

De Imperatriz para o mundo

A semana começou com o Brasil conhecendo uma nova heroína: Rayssa Leal, mais conhecida como Fadinha do Skate. A skatista de 13 anos conquistou a medalha de prata nas Olimpíadas de Tóquio na madrugada da última segunda-feira (26) e encantou o país com sua alegria, irreverência e seriedade no esporte.

O município de Imperatriz, no Maranhão, onde Rayssa nasceu e mora, montou toda uma estrutura para a população acompanhar a final: um telão foi montado em espaço público para transmitir a competição e a família e os amigos vibraram pela Fadinha.

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A família de Rayssa é, inclusive, um exemplo no município. Seus pais abraçam da causa do skate em Imperatriz e se mobilizaram para garantir reforma e manutenção na pista, políticas de segurança para os praticantes e combate aos preconceitos contra o skate.

O Brasil de Fato foi até Imperatriz sentir o clima de festa e conversar com alguns amigos da skatista pra conhecer mais da trajetória da atleta.

Reforma trabalhista

Apesar da pandemia, que contribuiu para o aumento do desemprego no Brasil, especialistas afirmam que as medidas executadas a partir da Reforma Trabalhista deixaram os trabalhadores mais vulnerável para encarar os efeitos da crise da Covid-19.

Em meados de 2017, o governo do então presidente Michel Temer investiu em aprovar a Reforma Trabalhista, defendendo que ela seria a solução para o fim do desemprego no Brasil e para o retorno a chamada situação de pleno emprego, com quase a totalidade da população empregada.

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Quatro anos depois, o país soma 14,8 milhões de pessoas em busca de trabalho, os maiores números de desempregados desde o início da série histórica que acompanha a situação do trabalho no Brasil, iniciada em 2012 pelo IBGE.

Informalidade

O Banco Mundial alertou que o Brasil deve implantar políticas de inclusão de trabalhadores informais no mercado. Não é a primeira vez que o órgão internacional emitiu relatórios sobre a situação econômica do Brasil durante a pandemia e reiterou a necessidade de adotar medidas de apoio aos profissionais sem carteira assinada.

Ainda segundo o Banco Mundial, a pandemia deve provocar efeito negativo sobre empregos e salários no Brasil pelo menos pelos próximos anos. Os principais afetados pelas consequências negativas são os trabalhadores sem ensino superior e os profissionais que estão em início de carreira.

Identidade de gênero

Instituições voltadas ao direito da população trans lançaram o projeto “Eu Existo”, que monitora o acesso de transexuais à mudança de nome e gênero no registro civil. As entidades lançaram uma cartilha com um resumo de como proceder com o processo legal.

Este é um dos direitos fundamentais no Brasil que ainda encontra barreiras para ser exercido amplamente.

Há três anos o Supremo Tribunal Federal determinou que mudar o nome e o gênero nos documentos oficiais é um direito pode ser exercido sem a necessidade de cirurgia ou outros processos de transformação. Ainda assim pessoas trans encontraram dificuldades de acessar esse direto básico em cartórios.


Produção da Rádio Brasil de Fato vai ao ar de segunda a sexta-feira / Brasil de Fato / Bem Viver

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Edição: Sarah Fernandes