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Programa Bem Viver: ‘No Brasil, movimento contra vacinas perdeu’, diz Pedro Hallal

Epidemiologista critica demora para iniciar vacinação, defende passaporte da vacina e uso de máscaras

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Pedro Hallal, agora ex-reitor da UFPel, coordenou a maior pesquisa de prevalência da covid-19 na população brasileira, razão pela qual vem sofrendo ataques do governo federal e seus apoiadores - Foto: Kátia Helena Dias / UFPel
Só os atrasos na compra das vacinas Pfizer e Coronavac causaram 100 mil mortes no Brasil

O epidemiologista Pedro Hallal, um dos principais nomes do país no combate a pandemia de covid-19, avalia que é preciso comemorar o avanço da vacinação no Brasil e a adesão da população à campanha, maior que em outros países, apesar de movimentos contra a vacina incitados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ainda assim, ele lembrou que milhares de mortes de brasileiros poderiam ter sido evitadas se o país tivesse adotado medidas de prevenção da doença e se tivesse adiantando a imunização.

“A campanha de vacinação começou a ser bem-sucedida porque o Brasil sempre foi muito bom de vacinar sua população. Não temos um movimento anti-vacina forte. A população brasileira acredita em vacina”, disse em entrevista ao Brasil de Fato Entrevista, repercutida na edição de hoje (23) do Programa Bem Viver. “Esse movimento negacionista contra vacinas perdeu. A gente precisa saber comemorar algumas vitórias. Houve um movimento liderado pelo presidente, uma pessoa influente, contra a vacinação e ele perdeu.”

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Ainda assim, ele ressalta que a campanha precisa ser analisada de forma crítica, em especial pela demora para iniciar. “A verdade é que a campanha começou atrasada e lenta. Essa falta de vacinas no começo da campanha causou muitas de mortes. Temos a estimativa que só os atrasos na compra das vacinas Pfizer e Coronavac causaram 100 mil mortes no Brasil”, pontou.

Um estudo conduzido por Hallal, quando era reitor da Universidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, mostrou que quatro em cada cinco mortes poderiam ter sido evitadas com isolamento social, uso de máscara e vacina.

O especialista defendeu ainda o uso do chamado passaporte da vacina e afirmou que no curto prazo não é possível pensar em suspender o uso de máscaras, em especial em lugares fechados. “O passaporte será um recurso necessário quando se fala em uma doença tão contagiosa. A gente não pode esquecer que a liberdade individual acaba quanto começa a do outro”, disse. “No médio prazo talvez possamos pensar em tirar as máscaras em ambientes abertos. Se continuarmos ganhando da Delta, talvez em novembro possamos avaliar.”

Paulo Freire e o SUS

Se engana quem pensa que o legado do educador Paulo Freire, que completaria 100 anos no último domingo (19), fica restrito à educação. Indiretamente, ele participou até da criação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os ideais de educação libertadora propostos por ele foram a inspiração necessária para que profissionais de saúde começassem a elaborar, na década de 1970, a proposta de um sistema de saúde universal e gratuito para o Brasil.

Feijão é Panc!

A edição de hoje do Programa Bem Viver apresenta uma dica um tanto fora da curva para ajudar a consumir alimentos saudáveis por um preço mais econômico: o feijão guandu, uma Planta Alimentícia Não Convencional (Panc) com alto teor nutritivo.

Muito comum em regiões semiáridas, ele pode ser consumido como outros tipos de feijão, como o de corda ou o carioquinha. Quando verde, o guandu pode substituir a ervilha, com cinco vezes mais vitamina A.

Vale lembrar que as Pancs recebem esse nome apenas porque não são produtos comumente cultivados ou vendidos nos tradicionais mercados. Porém, são seguras e nutritivas como outras plantas e frutas mais convencionais.


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Edição: Sarah Fernandes