DESEMPREGO

Nas favelas do RJ, 54% dos entrevistados perderam o emprego formal na pandemia da covid

Coletivo Movimentos ressalta que ajuda veio mais de moradores e associações do que do governo federal

Cerca de 69 mil pessoas vivem no Complexo do Alemão, segundo Censo de 2010
Cerca de 69 mil pessoas vivem no Complexo do Alemão, segundo Censo de 2010 | Crédito: Cerca de 69 mil pessoas vivem no Complexo do Alemão, segundo Censo de 2010

Uma pesquisa do coletivo Movimentos, formado por jovens de diversas favelas e periferias do Rio de Janeiro, mostra que 54% dos moradores destas localidades que estavam no mercado de trabalho perderam o emprego formal durante a pandemia da covid-19.

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O estudo foi divulgado nesta segunda-feira (27) e abrange moradores dos complexos da Maré e do Alemão, na zona norte do Rio, e da Cidade de Deus, na zona oeste.

Entre os entrevistados que estão empregados, 54% afirmaram estar trabalhando no momento da pesquisa, mas enfrentar dificuldades nos últimos meses, enquanto 34% declararam-se majoritariamente como profissionais liberais e com trabalhos informais e apenas 26% afirmou possuir carteira assinada.

O estudo informa, ainda, que 62% das pessoas nas favelas em questão solicitam o auxílio emergencial, mas somente metade delas (52%) de fato receberam o benefício. O Movimentos salienta que a demora do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para sancionar o auxílio prejudicou a população. Na época, Bolsonaro queria pagar benefício de R$ 200, mas foi vencido pelo Congresso.

"Somente após intensa disputa no Congresso Nacional o governo federal aprovou um auxílio emergencial no valor de 600 reais para autônomos, trabalhadores individuais e microempreendedores", ressalta o documento.

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O documento confirma também uma percepção de diversos atores sociais desde o início da pandemia. O Movimentos afirma que com a falta de políticas públicas e a omissão do Estado, coletivos, ONGs e novas frentes de solidariedade de organizaram em campanhas de arrecadação e distribuição de cestas básicas e kits de higiene nas favelas. 

"Essas iniciativas fizeram (e continuam fazendo) a diferença na vida de dezenas de milhares de famílias, assumindo um papel que deveria ser do Estado", aponta a pesquisa.

Editado por: Eduardo Miranda

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