21 DE NOVEMBRO

Venezuela: governo e oposição iniciam campanha buscando voto de 52% de indecisos

Chavismo tenta manter presença em 90% dos governos e prefeituras; oposição de direita aposta em estados fronteiriços

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela) |
São mais de 70 mil candidatos que irão disputar 3 mil cargos públicos nas eleições do dia 21 de novembro na Venezuela - CNE Venezuela

Falta pouco mais de um mês para as eleições regionais na Venezuela e as plataformas nacionais iniciaram a campanha eleitoral. Tanto o Grande Polo Patriótico, liderado pelo governante Partido Socialista Unido da Venezuela (Psuv), como a Mesa de Unidade Democrática (MUD), que reúne os maiores partidos de oposição de direita, realizaram comícios estaduais na última semana. 

No dia 21 de novembro serão eleitos 3.082 cargos públicos entre governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores. Foram inscritas 70.244 candidaturas, respeitando o critério de paridade de gênero dentro dos partidos. De acordo com o Conselho Nacional Eleitoral, cerca de 80% do cronograma já foi cumprido, incluindo o início das 16 auditorias prévias ao processo eleitoral e a simulação das eleições, realizada no último domingo (10).

 

O Psuv tenta manter sua presença em 90% das prefeituras e em 19 dos 23 estados. Para isso, se apoiam nas últimas medidas governamentais, que visam estabilidade econômica e conseguiram reduzir a inflação para 9,7% em setembro, o menor índice de 2021. Assim como na aceleração da vacinação a nível nacional.

Com o lema de campanha "Venezuela tem com que", o vice-presidente do Psuv, Diosdado Cabello instalou comitês de campanha em todos os estados do país, reforçando o método "1x10", no qual cada militante de base é responsável por conseguir dez votos. A estratégia é aplicada desde o início dos governos chavistas e garantiu a vitória em 24 dos últimos 26 processos eleitorais realizados desde 1998.

Por outro lado, a oposição busca aumentar sua presença nos estados que fazem fronteira com o Brasil e a Colômbia, baseando sua campanha nas deficiências das gestões chavistas, atacando principalmente a crise energética nacional, com os apagões e escassez de combustível. 

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Embora o grupo dos quatro maiores partidos de oposição (Vontade Popular, Primeiro Justiça, Ação Democrática e Um Novo Tempo) voltou a usar a legenda da MUD, a unidade está debilitada.

Após os escândalos de corrupção do governo paralelo com o dinheiro público venezuelano no exterior, vários candidatos tentam se descolar dos líderes do G4, figuras como Juan Guaidó, Leopoldo López e Júlio Borges.

Segundo as últimas pesquisas de opinião publicadas pela empresa Hinterlaces, apenas 13% do eleitorado apoia a MUD, enquanto 35% está com chavismo. No entanto, a grande maioria, 52% afirma que não se identifica nem com governo e nem com a oposição. É essa porcentagem do eleitorado que as alianças minoritárias buscam disputar - pela direita a Aliança Democrática e pela esquerda a Alternativa Popular Revolucionária (APR).

O estudo ainda indica que 43% dos venezuelanos apoiaria um referendo revogatório para encurtar o mandato do presidente Nicolás Maduro a partir de 2022. 

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Controvérsias com União Europeia 

A última semana também foi marcada por troca de faíscas entre a União Europeia e o governo venezuelano. Após assinar um acordo com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), autorizando o envio de uma missão de observação, o representante de política exterior do bloco, Joseph Borrell declarou que a decisão não implicava num reconhecimento do processo eleitoral, "o que legitimará ou deslegitimará é o informe final da missão".

O Ministério de Relações Exteriores emitiu um comunicado condenando as declarações do funcionário europeu de ingerencistas e exigindo respeito à soberania do país. 

O presidente do poder eleitoral, Pedro Calzadilla também exigiu que a União Europeia se retificasse, correndo o risco de romper o acordo de cooperação.

"É um alerta que se acende. Nenhum país iria autorizar a presença de uma missão internacional, na qual seu chefe, seu líder, sua autoridade expressa que eles vêm à Venezuela apoiar uma parcialidade política. Ninguém aceita", declarou Calzadilla.

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Em seguida, a asessoria de Borrell voltou atrás, afirmando que a diplomacia europeia não teria vínculos ou apadrinhava qualquer setor político. 

Além da União Europeia, a Organização das Nações Unidas, o Conselho de Especialistas Eleitorais da América Latina (Ceela) e o Centro Carter enviarão observadores para as eleições de novembro na Venezuela. 

 
 

Edição: Leandro Melito