povos tradicionais

Programa Bem Viver: Pescadores artesanais reivindicam direito aos seus territórios

Até amanhã ocorre a Semana do Grito da Pesca Artesanal, uma mobilização para cobrar políticas para essas populações

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De acordo com dados do Governo Federal, atualmente existem mais de um milhão de pescadores profissionais no Brasil - Ministério da Agricultura
Estamos perdendo nossos territórios para grandes empreendimentos

Até amanhã (25) ocorre a Semana do Grito da Pesca Artesanal, em Brasília, uma mobilização tradicional promovida por pescadores artesanais de diferentes regiões do país para cobrar atenção de lideranças políticas para essas populações. Entre as pautas, está a denúncia a proposta de recadastramento profissional, promovido pelo governo federal, que tem dificultado o acesso à regularização da profissão, segundo os trabalhadores.

“Cada dia chegam mais megaprojetos nas nossas comunidades. Já perdemos muito do nosso território e da nossa identidade”, disse a coordenadora nacional do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais, Martinelli Rodrigues, em entrevista ao programa Central do Brasil, repercutida hoje (23) no Bem Viver. “Nossas reivindicações são por direitos e pela conquista dos nossos territórios, que estamos perdendo para grandes empreendimentos. [O presidente Jair] Bolsonaro está sendo omisso e não mantém diálogo com as comunidades.”

Os participantes do Grito discutem, ainda, os desafios da atual conjuntura política, econômica e sanitária e a resistência das comunidades tradicionais pesqueiras frente às violações de direitos humanos e socioambientais. Um dos temas centrais é a programa federal Economia Azul, uma série de medidas divulgadas como ações de desenvolvimento das áreas costeiras, mas que tem causado grades impactos no dia a dia das comunidades tradiconais, segundo lideranças.

A data da mobilização não foi escolhida a toda: foi nesta semana, em 1910, que ocorreu a Revolta da Chibata, no Rio de Janeiro. Trata-se de um motim de caráter popular, liberado pelo marinheiro João Cândido, que se rebelou contra agressões de altos comandantes da Marinha contra oficiais pretos.

Auxílio Brasil

O primeiro pagamento do Auxílio Brasil, programa criado para substituir o Bolsa Família, começou na última quarta-feira (17) sem novos cadastramentos. O valor aumentou em 17%, um montante considerável, mas ainda abaixo da inflação referente ao período que ficou sem reajuste.

Especialistas avaliam que, na prática, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentou amenizar o fim do Auxílio Emergencial, criado na pandemia para auxiliar as famílias mais pobres, sendo que o país segue com altas taxas de desemprego e fome.

A proposta de o Auxílio Brasil alcançar o valor de R$ 400 segue como promessa. O governo diz que o valor toral será pago em dezembro e que vai permanecer neste patamar por pelo menos 12 meses. Não há informações sobre o que deve ocorrer depois desse período.

“Estas ações deixam milhões de brasileiros desassistidos a partir do ano que vem e submete as famílias mais pobres a uma situação de insegurança alimentar, que vai continuar em 2022 e em 2023”, disse a ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, que foi responsável pelo Bolsa Família por anos.

Influenciadores negros

O Brasil de Fato listou 10 influenciadores negros que produzem conteúdos relevantes nas redes socais, sobre diversos temas. São todas pessoas jovens, da nova geração, que trazem debates qualificadas, divertidos e interessantes.

As personalidades representam muito bem o movimento negro, mas a atuação deles nas redes sociais vai além desse tema. Nomes como Família Quilombo, Maternidade Sapatão e Nataly Neri fazem parte da lista.


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Edição: Sarah Fernandes