Guerra

Ucrânia diz que Kiev só será tomada se for destruída; protestos contra a guerra tomam a Europa

Diplomacia russa alerta que carregamentos de armas enviados do exterior serão considerados “alvos legítimos”

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
"Parem a guerra", mulher segura cartaz pelo fim do conflito em manifestação na Espanha; protestos ocorreram em diversas cidades - ©Cesar Manso/AFP

Em entrevista coletiva neste sábado (12), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, afirmou que a Rússia só tomará a capital Kiev se “destruir a cidade”. Na conversa com jornalistas, ele afirmou que está aberto ao diálogo com Moscou. 

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No entanto, o governo ucraniano negou notícias de que o primeiro ministro israelense, Naftali Bennet, teria tentado convencer Zelenskiy a aceitar um acordo com Vladimir Putin. Segundo as informações, nenhuma tentativa de acordo foi oferecida. 

Também neste sábado, protestos contra a  guerra tomaram conta de diversas cidades da Europa. Houve manifestações na Holanda, na Alemanha, no Reino Unido, na França, na Espanha e na Polônia.

Enquanto isso, correspondentes informam que Moscou vai passar a considerar carregamentos de armas para a Ucrânia como alvos aceitáveis. 

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O vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, afirmou que a Rússia já deixou suas posições claras. Em declaração para o site Sky News ele disse que os Estados Unidos já foram avisados que o envio internacional de armas para a Ucrânia  “não é apenas um movimento perigoso, é uma ação que torna esses comboios alvos legítimos”.

Segundo informações da agência para refugiados da ONU (Acnur), mais de 2,5 milhões de pessoas já fugiram da guerra na Ucrânia e buscam refúgio em outras nações. 

Parte desse grupo começa a voltar ao país. De acordo com o serviço de segurança de fronteiras da Ucrânia, centenas de milhares de pessoas já fizeram esse movimento e algumas delas retornam com a intenção de lutar contra a Rússia. 

Entenda o conflito

Desde o final de 2021, tropas russas passaram a se concentrar nas proximidades da Ucrânia, e o Ocidente enviou armas para os ucranianos. O conflito tem como pano de fundo o mercado de energia na Europa e os limites da expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), uma aliança militar composta por membros alinhados aos Estados Unidos, em direção à fronteira russa. 

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Outro elemento central é o fracasso dos Acordos de Minsk, assinados em 2014 e 2015 como uma tentativa de construir um cessar-fogo para a guerra civil na Ucrânia. A ferramenta diplomática previa condições de autonomia para áreas separatistas de Donetsk e Lugansk e a retirada de armas da região em que tropas ucranianas enfrentavam os rebeldes.  

O governo de Kiev se recusava a cumprir a parte política prevista pelos acordos, já que isso poderia causar uma fratura em sua soberania.  A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro sob a justificativa de “desmilitarizar e desnazificar" o país vizinho. Desde então, União Europeia e Estados Unidos anunciaram sanções como resposta e também fornecem armas aos ucranianos).

Edição: Douglas Matos