Encontro

Haddad e Tarcísio 'nacionalizam' debate para governador de São Paulo

No primeiro confronto direto entre os candidatos, Lula e Bolsonaro estiveram no centro da discussão

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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haddad tarcisio
O uso de câmeras no uniforme de policiais militares foi um dos temas de destaque no primeiro bloco; Tarcísio promete acabar com essa política, enquanto Haddad defende que as câmeras protegem os policiais - Reprodução/Twitter e Marcelo Camargo/Agência Brasil

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Estado de São Paulo foi realizado pela TV Band na noite desta segunda-feira (10). No primeiro bloco, os candidatos ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) trouxeram os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) para o centro do palco.

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As regras deram a Haddad e Tarcísio 15 minutos cada, com uso livre do tempo conforme a conveniência de cada um. O encontro estabelece assim o confronto direto entre os dois sem a atuação do mediador.

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Tarcísio começou fazendo um ataque duplo a Haddad e Lula, usando uma frase do ex-presidente afirmando que Bolsonaro gostava "mais de policial do que de gente". O petista afirmou que Lula já havia se desculpado sobre a fala, dizendo que o atual presidente não faz o mesmo. Ele acrescentou, ainda, o mandatário "fez pouco caso com quase 700 mil pessoas que morreram. Celebrou aumento de suicídio no Brasil. Ofendeu chefes de Estado, ofendeu mulher de chefe de Estado".

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O petista também defendeu as câmeras em uniformes de policiais, instaladas pelo projeto "Olho Vivo", iniciado em 2021, e que gravam a rotina de trabalho dos agentes das forças policiais, reduzindo os índices de letalidade policial. "Sou contra sua proposta de retirar câmeras dos uniformes da polícia. Isso tem reduzido letalidade, mortes de policiais diminuíram 80%. Como você, que se diz técnico, pode defender isso?"

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De volta com a palavra, o ex-ministro bolsonarista negou que o presidente tenha comemorado suicídios durante a pandemia ou zombado de pacientes com covid-19 que tinham falta de ar. No entanto, vídeos mostram o contrário, alguns inclusive com a participação do próprio Tarcísio.

"Falar em fake news em se tratando do Bolsonaro é quase uma piada. É a pessoa que mais promove (fake news)", rebateu Haddad. "Foi ele próprio quem debochou das pessoas, chamou de gripezinha uma doença que matou 700 mil brasileiros", disse o petista.

Tarcísio acusou Haddad de não cumprir metas de saúde quando foi prefeito de São Paulo, não construindo hospitais. Haddad devolveu mencionando que obteve 44% dos votos válidos na capital paulista, contra 32% do adversário. "Ao contrário do governo federal, planejo e começo a obra, e deixo para o sucessor dinheiro em caixa para terminar", afirmou, criticando ainda a área de saúde da gestão federal. "vocês cortaram o Farmácia Popular, ninguém acha mais remédio em posto de saúde."

No fim, Haddad perguntou sobre as políticas de cultura elaboradas pelo ex-ministro de Bolsonaro. Tarcísio afirmou que vai levar "espetáculos para o interior de São Paulo." "A cultura, integrada com a educação, é um espaço fundamental", pontuou.

Em seguida, Haddad contestou: "Hoje você não sabe dizer quem cuida da cultura do governo Bolsonaro porque não tem quem cuide da cultura", lembrando ainda que que o atual presidente vetou as leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo, que buscam fomentar a cultura no país.

Edição: Thalita Pires