'Países irmãos'

Venezuela e Colômbia consolidam reaproximação, e presidentes se reúnem pela 1ª vez em 6 anos

Gustavo Petro e Nicolás Maduro assinam acordos e discutem temas como reabertura de fronteiras e Amazônia

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela) |
Petro e Maduro assinaram acordos e discutiram cooperação em várias áreas - Prensa Presidencial

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, visitou a Venezuela nesta terça-feira (1º) para se reunir com seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro. Após o encontro, os mandatários assinaram uma declaração que prevê parcerias e cooperação entre os países em distintas áreas.

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O Brasil de Fato acompanhou o encontro e as declarações direto do Palácio Miraflores, sede do governo venezuelano, onde os presidentes se reuniram.

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"Se Colômbia e Venezuela têm algo em comum é um destino comum. Os governos estão obrigados, na diversidade de nossas visões, a trabalhar sempre pelo bem comum", disse Maduro.

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Petro, por sua vez, afirmou que "é anti-histórico que Colômbia e Venezuela se separem, alguma vez aconteceu e não deve voltar a acontecer porque somos o mesmo povo, unidos por laços de sangue".

Essa foi a primeira visita de um presidente colombiano à Venezuela nos último 6 anos. As relações entre os país estavam rompidas desde 2019, após o ex-presidente da Colômbia Iván Duque fornecer apoio a tentativas golpistas da oposição.

Fronteiras, Amazônia e integração

Entre os temas discutidos pelos mandatários, o primeiro ao qual fizeram referência foi a necessidade de avançar na reabertura de fronteiras, oficializada no dia 26 de setembro.

Maduro afirmou que conversaram sobre "os novos passos para uma abertura total das fronteiras" e também sobre "a segurança e funcionamento devido" das autoridades fronteiriças.

Já Petro adotou uma postura mais dura a respeito da segurança, afirmando que as fronteiras entre os países estão "nas mãos da máfia", fenômeno causado pelo fracasso da guerra às drogas e por anos de separação entre os governos colombiano e venezuelano.

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"Isso é a expressão do fracasso do que se chamou guerra às drogas e que nos deixou hoje desestabilização democrática, um milhão de mortos na América Latina e territórios inteiros perdidos", disse.

O presidente colombiano ainda prometeu "reconstruir relações em nível de inteligência" com a Venezuela para combater "não o trabalhador do narcotráfico, mas os donos do capital que nunca são golpeados".

Ambos mandatários também concordaram em trabalhar de forma conjunta na preservação da Amazônia e falaram sobre levar uma "posição comum" à COP27, que acontecerá no Egito no próximo dia 6 de novembro.

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Sobre o combate ao desmatamento e às mudanças climáticas, Petro ainda mencionou o Brasil e disse esperar o país se integre aos planos.

"Esse é um pilar fundamental no equilíbrio climático do planeta, que hoje está em perigo e coloca em perigo a espécie humana. [...] Um esforço comum dos países que temos responsabilidade sobre a floresta amazônica na COP27 é um de nossos acordos, que Venezuela nos ajude, que nos ajudemos mutuamente e tomara que o Brasil se integre porque é fundamental", disse.

Comunidade Andina e Direitos Humanos

Ainda durante o encontro, Petro propôs ao governo venezuelano que o país volte a fazer parte da Comunidade Andina de Nações (CAN) e do Sistema Interamericano de Direitos Humanos (SIDH), criado pela Organização de Estados Americanos (OEA).

Durante suas declarações, Maduro se mostrou otimista em relação a um retorno a ambas esferas internacionais. 

"Conversamos sobre o retorno da Venezuela à CAN, é uma boa notícia para a América do Sul. Conversamos também sobre os passos em função de uma reconsideração sobre o Sistema Interamericano de Direitos Humanos, fui muito receptivo e será assim pelas próximas semanas em relação a esse tema interessante", disse.

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Criada em 1969, a CAN é formada por Bolívia, Colômbia, Equador e Peru e serve como instância multilateral de integração econômica entre os países andinos. Em 2006, o então presidente venezuelano Hugo Chávez decidiu retirar o país do bloco após Colômbia e Peru assinarem tratados de livre comércio com os EUA.

Já a saída da Venezuela do SIDH se oficializou em 2013, durante o governo de Maduro. Tanto o Sistema quanto a própria OEA já vinha sendo criticadas por Chávez anos antes e em 2010 o então presidente pediu que a Chancelaria venezuelana preparasse a retirada do país. 

"A Comissão e a Corte [Interamericana da Direitos Humanos] lamentavelmente se degeneraram, eles acreditam ser um poder supranacional, um poder acima dos governos legítimos do continente", alegou Maduro à época.

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Já nesta terça-feira, o presidente venezuelano ouviu os apelos de Petro e sinalizou estudar a proposta. O mandatário colombiano chegou a mencionar uma "nova fase" na integração regional, fazendo referência a uma maior presença de governos progressistas na região.

"Por isso pedimos que a Venezuela fortaleça esse sistema, inclusive nessa nova fase que vamos viver, que deve gerar uma verdadeira integração latino-americana nos feitos, nos projetos, não apenas nos documentos e discursos", disse.

Edição: Vivian Virissimo