CARTÃO CORPORATIVO

Bolsonaro gastou R$ 680 mil em "mercadinho gourmet" acusado de xenofobia

Cartões de crédito da Presidência foram utilizados 1.264 vezes em estabelecimento comercial de produtos importados

Brasil de Fato | Brasília (DF) |

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Nas eleições, dono de mercado foi acusado de xenofobia contra cliente nordestina - Divulgação/Instagram - @lapalmabsb

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) gastou mais de R$ 680 mil em um “mercadinho gourmet” no cartão corporativo do Palácio do Planalto. Durante os quatro anos de mandato, foram 1.264 compras feitas com dinheiro público no Mercado La Palma, um dos mais caros de Brasília (DF).

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Com lojas na Asa Norte e na Asa Sul, os dois bairros mais nobres da capital federal, o La Palma vendeu gêneros alimentícios para a Presidência desde 2 de janeiro de 2019, segundo dia de governo Bolsonaro. A compra mais cara foi de R$ 4.021,90 e, na média, o valor gasto foi de R$ 540.

O “mercadinho” preferido do ex-presidente tem como slogan “o paraíso do gourmet”, em referência aos produtos importados vendidos. “Em casa ou em um bom restaurante, todo chef tem seus segredos. Bons ingredientes é um deles”, diz um dos textos promocionais do site do La Palma.

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Os gastos dos cartões corporativos da Presidência foram publicados pelo governo federal em 6 de janeiro. Dias depois, o Executivo respondeu a um pedido feito pela agência Fiquem Sabendo por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação). Até então, o governo Bolsonaro argumentava que deixaria os valores em sigilo até o fim do mandato, seguindo um trecho da própria lei.

Dono foi acusado de xenofobia


Unidade da Asa Norte do La Palma: acusação de xenofobia / Reprodução/Google Maps

Em outubro, durante o segundo turno das eleições presidenciais, uma mulher usou as redes sociais para denunciar a xenofobia dentro da unidade da Asa Norte do La Palma. Segundo o relato publicado por Edlene Silva e divulgado no site Metrópoles, o proprietário do local ofendeu a cliente por ser baiana.

De acordo com o depoimento, o homem perguntou onde a cliente teria nascido, devido ao sotaque. Ao responder que é natural de Salvador, na Bahia, ela afirma que o dono do estabelecimento chamou os baianos de “preguiçosos”.

“É daquele lugar que [o presidente Jair] Bolsonaro perdeu 1 milhão de votos porque ofereceu um milhão de empregos para baianos que não gostam de trabalhar, são preguiçosos”, teria dito o homem.

No relato, a cliente comenta que se sentiu agredida. “Me senti extremamente desrespeitada, agredida e vítima de xenofobia. Para evitar um confronto com um bolsonarista descontrolado e possíveis consequências violentas desse senhor preferi dizer que essa afirmação de que éramos vagabundos e preguiçosos era um preconceito e uma inverdade e me retirei. Nunca mais piso meu pé nesse lugar preconceituoso e desrespeitoso”, escreveu a cliente.

Em nota divulgada à época, o estabelecimento informou que trabalhava para apurar o caso. “Nos desculpamos por qualquer desconforto que possa ter sido causado, e reafirmamos nosso compromisso com reforçar nossos valores de multiculturalidade e diversidade no melhor relacionamento possível com os clientes, por parte de nossos administradores e funcionários”, disse a firma.

Edição: Glauco Faria