Crise no Peru

Peruanos convocam marchas em Lima e permanecem mobilizados contra Boluarte

Manifestantes mantém bloqueios em nove rodovias no interior do país; presidente recusa renúncia e negocia com a direita

Caracas (Venezuela) |
Protestos ocorrem desde o dia 7 de dezembro, após a destituição de Pedro Castillo - Ernesto Benavides/AFP

Com marchas convocadas para esta terça-feira (21) em Lima, capital do Peru, e bloqueios de vias instalados no interior do país, os peruanos completam 11 semanas consecutivas mobilizados em protesto contra o governo da presidente Dina Boluarte.

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Os manifestantes pedem a renúncia da mandatária que assumiu após a destituição do ex-presidente Pedro Castillo, abrindo uma crise política que vem se agravando desde o dia 7 de dezembro.

Nessa segunda-feira (20), protestos foram registrados em diversas regiões do país. Trujillo, San Martín, Piura e Lambayeque foram algumas cidades que tiveram atos. 

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Além disso, movimentos populares planejam enviar delegações a Lima nos próximos dias para seguir com as marchas na capital.

De acordo com autoridades do governo, 9 rodovias estão bloqueadas por manifestantes em 35 pontos diferentes, a maioria delas no departamento de Puno, no interior do país. Segundo a Defensoria do Povo peruana, 48 pessoas já morreram durante os protestos.

Enquanto os manifestantes seguem mobilizados, o governo não dá sinais de que irá ceder. Ainda na segunda (20), o presidente do Partido Morado, Luis Durán, o mesmo de Boluarte, afirmou que a mandatária só deixará o cargo após novas eleições.

"A presidenta nos disse que não considera que seu governo é de transição e que, portanto, ela vai continuar até que o Congresso decida pelo adiantamento de eleições", disse.

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Reunião com a direita

A renúncia de Boluarte e a convocação de eleições são as principais exigências dos manifestantes. Na última quinta-feira, a presidente se reuniu com líderes da direita parlamentar para discutir a realização do pleito presidencial ainda em 2023.

O objetivo é ganhar apoio de legendas conservadoras no Congresso para destravar o projeto capaz de adiantar as eleições. Boluarte chegou a se reunir, também, com a líder do partido Força Popular, Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori.

A proposta para adiantar as eleições está parada no Congresso e precisa de maioria simples (66 votos de 130) para avançar. O governo já tentou outras três vezes antecipar o pleito que está previsto para ocorrer em abril de 2026.

Edição: Patrícia de Matos