Protocolo

Após caso de 'vaca louca', Brasil suspende venda de carne à China

Ministério da Agricultura e Pecuária afirma que suspensão é uma "formalidade", e não há riscos para a população

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) |

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Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) informou em nota que "a sintomatologia indica que se trata da forma atípica da doença", que não tem risco de disseminação - Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

As exportações de carne bovina brasileira à China foram suspensas nesta quinta-feira (23) depois da confirmação de um caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), a "doença da vaca louca" no interior do Pará. O procedimento, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), é uma "formalidade", e não há riscos para a população que tem o hábito de consumir carne no Brasil.

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A confirmação do diagnóstico saiu no fim da tarde de quarta-feira (22). A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) informou em nota que "a sintomatologia indica que se trata da forma atípica da doença, que surge espontaneamente na natureza, não causando risco de disseminação ao rebanho e ao ser humano".

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Apesar do comunicado da agência paraense, as autoridades ainda aguardam resultados de exames que estão sendo feitos no Canadá para ter a certeza de que não se trata da forma não clássica da doença, que é transmissível. Não foi divulgada previsão sobre quando esse resultado irá sair.

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O risco de transmissão, porém, é baixo, já que o animal fazia parte de um rebanho com 160 animais, em uma pequena propriedade da cidade paraense de Marabá. O local foi inspecionado e isolado preventivamente.

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Em nota oficial, o Mapa informou que a doença foi identificada em um animal macho de 9 anos. O animal era criado em pasto, sem ração (principal vetor de transmissão da forma clássica da EEB). O boi foi abatido e a carcaça foi incinerada no próprio local.

Segundo o Ministério, está sendo cumprido o protocolo sanitário em casos como esse - e isso inclui a suspensão temporária das vendas à China. O governo brasileiro já notificou a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

"Todas as providências estão sendo adotadas imediatamente em cada etapa da investigação e o assunto está sendo tratado com total transparência para garantir aos consumidores brasileiros e mundiais a qualidade reconhecida da nossa carne", disse o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, em declaração publicada junto à nota do Ministério.

Diálogo

O Brasil não tinha registros de "vaca louca" desde 2021, quando houve confirmações de diagnósticos em Minas Gerais e Mato Grosso. Os casos, na época, foram atípicos, mas ainda assim a China suspendeu a compra entre setembro e dezembro daquele ano.

O Mapa afirmou ainda que está em contato com as autoridades chinesas para demonstrar todas as informações e garantir o restabelecimento do comércio de carne brasileira o quanto antes.

Em entrevista ao canal televisivo CNN Brasil, Fávaro disse que espera que a situação seja solucionada até o fim de março, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá visitar o gigante asiático - a agenda ainda não está confirmada.

A doença

A EEB ficou conhecida internacionalmente como "mal da vaca louca" por causa dos principais sintomas, que incluem comportamento alterado. Os animais infectados têm o sistema nervoso infectado por um agente infeccioso formado de proteína, chamado príon. O período de incubação da doença pode ser longo, com cerca de cinco anos até o aparecimento de sintomas, o que aumenta a chance de disseminação.

Os príons em reprodução causam lesões que deixam o tecido cerebral cheio de furos, quando visto em análise microscópica (daí vem o termo "espongiforme", presente no nome técnico da doença).

Pessoas que consomem carne de animais contaminados podem ser acometidas de uma variante da Doença de Creutzfeldt–Jakob (vDCJ), que é uma doença neurodegenerativa. A maioria dos casos já confirmados da enfermidade na história aconteceu no Reino Unido. No Brasil, a doença jamais foi registrada.

Edição: Nicolau Soares