Reconhecimento

Radinho BdF é finalista do Prêmio Megafone de Ativismo

Defesa da democracia é tema comum entre iniciativas, ações e personalidades selecionadas

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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Radinho BdF coloca as crianças no comando dos microfones - Pedro Stropassolas

O programa Radinho BdF, produzido pelo Brasil de Fato, está na lista de finalistas do Prêmio Megafone de Ativismo deste ano. No ar desde 2020, o podcast inova ao dar voz às crianças na abordagem de temáticas sobre as quais elas normalmente não são ouvidas.

Idealizado e apresentado pela jornalista Camila Salmazio, o Radinho nasceu em meio ao isolamento social por causa da covid-19. A ideia era garantir conteúdo de qualidade para um período em que pequenos e pequenas deixaram de ir à escola e tiveram que aprender rapidamente como conviver com a nova realidade.

Na equipe do programa estão ainda a editora e sonoplasta Lua Gatinone e a jornalista e produtora Sarah Fernandes. Perto de completar três anos, o Radinho se consolida como um produto raro no jornalismo, "principalmente, pensando que os produtos infanto-juvenis costumam não ter tanta força nas redações, acabam tendo um caráter meio intermitente, de não ter uma periodicidade certa", pontua Fernandes.

O grande trunfo da atração é colocar no ar conteúdo infanto-juvenil que também convida adultos e adultas à reflexão. "Ouvir crianças ainda é considerado algo inovador no jornalismo, mas não deveria ser. A própria legislação, o Estatuto da Criança e do Adolescente, nossa Constituição, garantem às crianças essa participação ativa. Ouvir crianças é também uma obrigação do jornalista", ressalta a produtora.

Desde que foi criado, o Radinho recebeu o reconhecimento de diversas premiações. Em 2021, o programa teve menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog, pela reportagem Crianças refugiadas discutem no Radinho BdF o direito de migrar. No mesmo mês, foi agraciado também com o Prêmio de Comunicação Fundação José Luiz Egydio Setúbal na categoria Áudio, pela produção O que é autoproteção e como cuidar do seu corpo?

Menos de um mês depois, foi vencedor do troféu Microfone de Prata (Rádio) da categoria Entretenimento, na 53ª edição dos Prêmios de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A condução de Camila Salmazio na atração também foi reconhecida.

Em 2022, o podcast venceu novamente o Prêmio de Comunicação Fundação José Luiz Egydio Setúbal na categoria Áudio, com o episódio Crianças desvendam fórmula de refrigerante e debatem riscos do excesso de açúcar.

O Prêmio Megafone de Ativismo

Primeira e única premiação do ativismo brasileiro, a iniciativa está na segunda edição. Em comum, os projetos e personalidades selecionados para este ano têm a defesa da democracia. As inscrições cresceram 20%, vindas de todas as regiões do país. Norte e o Nordeste se destacam e representam 45% do total.

Digo Amazonas, do projeto Megafone Ativismo – uma das organizações a frente do prêmio – afirma que abranger mais que o eixo sul e sudeste e ter mulheres e pessoas negras como maioria é um sinal de que a diversidade brasileira está representada.

"Também tivemos muitas inscrições de jovens. Então, acredito que estamos conseguindo mostrar toda essa diversidade como uma forma, não só de premiar. Nossa principal intenção não é dizer quem fez o melhor ativismo, mas sim mostrar ativismos inspiradores, formas diferentes de fazer, táticas e estratégias diferentes que estão sendo usadas em um lugar ou por um grupo e que podem ser também adotadas e experimentadas por outras pessoas. É uma grande ideia criar um ciclo de fortalecimento do ativismo no país."

Podcasts, intervenções artísticas, imagens, músicas e até protestos estão na lista de concorrentes. O público vai conhecer os vencedores e as vencedoras a partir de 10 de abril, em anúncios protagonizados pela humorista Nathalia Cruz nas redes sociais.

São 14 categorias focadas nas questões que mais mobilizaram a sociedade no ano passado. Na primeira edição do prêmio, a pandemia da covid-19 permeou a iniciativa. Desta vez, temas voltados aos direitos humanos, proteção do meio ambiente, combate à discriminação e temáticas sociais estão em destaque. Digo Amazonas acredita que, mesmo com as mudanças políticas recentes, essas temáticas devem continuar em pauta nos próximos anos.

"O prêmio megafone funciona também como um retrato de quais são as principais lutas que aconteceram no país naquele ano. É claro que a luta pela democracia foi algo que apareceu muito nas inscrições. Ao mesmo tempo, entendemos que sim, vencemos essa batalha, mas a luta continua. Portanto, não temos dúvidas de que nos próximos anos essa será uma pauta que aparecerá muito, assim como outras pautas históricas do Brasil."

Na lista ele inclui questões históricas e estruturais, a exemplo do racismo e da desigualdade, e temas que vem recebendo cada vez mais atenção na atualidade, como as mudanças climáticas e o combate às fake news. Clique aqui para saber mais e conhecer as indicações.

Edição: Nicolau Soares