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Usinas eólicas: danos causados em Pernambuco são retratados em documentário

"Vento Agreste" mostra a realidade famílias atingidas e denuncia o atual modelo utilizado para a instalação das usinas

Brasil de Fato | Recife (PE) |

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Atualmente existem 33 parques eólicos em funcionamento no estado de Pernambuco e 4 estão em fase de instalação - Divulgação Documentário "Vento Agreste"

"A gente só tem duas opções, que é: ou a gente sai do lugar da gente ou as eólicas saem. E a gente sabe que as eólicas não vão sair. Então, infelizmente, a gente vai ter que sair do local que a gente escolheu pra viver". Roselma de Melo mora há dez anos na comunidade de Sobradinho, localizada no município de Caetés, no agreste pernambucano. Há oito anos a família da agricultora é uma das 170 que convivem com os aerogeradores há cerca de 100 metros de distância das suas casas.

Denúncias de problemas de saúde como ansiedade e insônia devido ao barulho causado pelos geradores é uma das queixas de Roselma. Sua denúncia e de outros moradores sobre os danos causados às comunidades camponesas pelas usinas eólicas na região estão no documentário Vento Agreste.

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O filme é uma produção da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em parceria com o Instituto Mãe Terra, com a equipe de Residência em Saúde coletiva e agroecologia da Universidade de Pernambuco (UPE) e com o Fundo Casa Socioambiental para apoiar a luta pela reparação dos direitos violados dos agricultores.

Assista ao vídeo:

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João Paulo do Vale que é agente da CPT e foi diretor e roteirista do documentário, destaca que o filme foi uma forma de alcançar ainda mais pessoas com o trabalho de denúncia que já vinha sendo feito.

"A gente começou a tentar fazer intercâmbio, pra gente levar pra grupo de pessoas, pra comunidades afetadas pra elas sentirem, perceberem o que estava acontecendo. Isso tem funcionado muito bem porque algumas comunidades que estavam ainda em dúvida se era a favor quanto do parque ser instalado no seu território, faz o intercâmbio e ela já vira a chavinha e percebe 'não isso aqui não faz sentido pro nosso território'", destaca.


Transição energética possibilitaria, através do uso da energia eólica e solar, que o Brasil substituísse o uso de combustíveis fósseis / Divulgação/Ari Versiani/PAC

As gravações de Vento Agreste foram realizadas entre os meses de julho e outubro de 2022, a partir da atuação das organizações envolvidas em atividades de escuta, registro, formação e acompanhamento dos casos de violações de direitos causados pelas usinas eólicas.

O documentário aborda também o papel de denúncia que a comunidade assumiu desde a instalação. E será possível conferir no Youtube da Comissão Pastoral da Terra NE 2 a partir de março.

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Agora, os moradores desejam apenas que ninguém passe pela mesma situação, é o que afirma Roselma, que vê o documentário como um alerta.

"É um modo da gente poder desabafar. Toda vez que a gente conversa com alguém, que a gente fala o que aconteceu com a gente para mostrar para aonde não tem, para não ser enganado como a gente foi, que a gente não teve a opção de escolher se vai querer passar pelo que a gente está passando ou não."

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Fonte: BdF Pernambuco

Edição: Vanessa Gonzaga