Evidência científica

‘Sanções têm efeito letal’: Intelectuais pedem fim do bloqueio dos EUA contra Cuba e Venezuela

Mais de 50 acadêmicos responderam a senador democrata que descartou, sem provas, os impactos humanitários das sanções

No audio source provided.

Mais de 50 intelectuais de diversas partes do mundo pediram ao senador estadunidense Bob Menendez que pare de apoiar a aplicação de sanções contra Cuba e Venezuela. Em uma carta publicada na última quarta-feira (5), economistas, cientistas políticos e historiadores de 10 países destacaram a existência de vários estudos que evidenciam os danos humanitários causados pelas sanções dos EUA e que Menendez estaria mentindo ao dizer que as medidas não afetam as populações cubana e venezuelana.

"Respeitosamente pedimos que você pare de espalhar a falsa narrativa de que não existe relação entre as sanções econômicas e a crise humanitária em países atingidos por essas sanções", diz o documento.

::O que está acontecendo na Venezuela::

A carta é assinada por nomes como o ex-ministro da Economia da Argentina Martin Guzman, o economista sul-coreano Ha-Joon Chang e o professor de Economia da Universidade de Denver e opositor venezuelano Francisco Rodríguez.

A iniciativa é mais um capítulo de uma série de ações de atores não ligados ao governo da Venezuela e de Cuba para aliviar o bloqueio contra esses países.

O início da polêmica ocorreu em maio, quando um grupo de deputados e senadores do Partido Democrata enviou uma carta ao presidente Joe Biden pedindo o fim das sanções como medida conter o alto fluxo migratório em direção aos EUA.

::Biden é pressionado a aliviar sanções à Venezuela para evitar aumento de imigrantes::

"Especialistas concordam amplamente que sanções extraterritoriais dos EUA – expandidas a níveis sem precedentes por seu antecessor [Donald Trump] – são um fator predominante que contribui para o atual aumento da migração", dizia um trecho da carta publicada no dia 10 de maio.

Em resposta, o senador democrata Bob Menendez, presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado e um histórico apoiador da política de sanções contra Cuba e Venezuela, publicou uma nota um dia depois dizendo que, na verdade, cubanos e venezuelanos deixavam seus países porque estariam fugindo de "ditaduras que violam e reprimem seus direitos".

No documento assinado pelos intelectuais divulgado nesta semana, eles destacam que o senador não cita "nenhuma pesquisa ou evidencia que respalde seu argumento central de que as sanções econômicas dos EUA não tem ligação direta com o número significante de migrantes de Cuba e Venezuela".

::Cúpula na Colômbia atrai EUA e UE, mas alívio imediato de sanções à Venezuela é improvável::

"Isso não é surpreendente, já que na verdade não existe nenhuma pesquisa séria que embase essa alegação. Ao contrário, […] dezenas de estudos acadêmicos revisados por pares registraram os efeitos negativos concretos – e muitas vezes letais – das sanções econômicas nas condições de vida das populações dos países afetados", diz a carta.

Cuba sofre com um bloqueio imposto pelos EUA há 61 anos, que passou a ter mais impacto na economia da ilha a partir dos anos 1990, após a queda da União Soviética.

::Guaidó foi "abominável para a democracia" na Venezuela, diz Lula::

Já as primeiras sanções contra a Venezuela foram impostas em 2014, pelo então presidente Barack Obama, mas as medidas que realmente asfixiaram a economia venezuelana vieram durante o governo de Donald Trump, a partir de 2017. As primeiras sanções financeiras colocaram enormes obstáculos para o país realizar e receber pagamentos no exterior. Já em 2019, as sanções contra a indústria petroleira significaram o bloqueio do principal setor da economia, provocando uma ampliação na crise econômica do país.

Editado por: Thales Schmidt

|

Newsletter