Crise do Wagner

Ministério da Defesa da Rússia confirma recebimento de todo o equipamento militar do Wagner

Permanece a incógnita sobre o paradeiro de Yevgueny Prigozhin e de Serguei Surovikin, seu suposto aliado no exército

Rio de Janeiro |
Tanque do grupo paramilitar Wagner toma cidade de Rostov na Rússia em tentativa de golpe militar no país, em 24 de junho de 2023. - STRINGER / AFP

O Ministério da Defesa da Rússia informou nesta quarta-feira (12) que suas forças armadas concluíram o recebimento de armas e equipamentos militares das unidades do grupo paramilitar Wagner.

Segundo o órgão do governo, o arsenal é composto por de 2.000 equipamentos e armas, incluindo tanques T-90, T-80, T-72B3, sistemas de foguetes de lançamento múltiplo Grad e Uragan, entre outras armas. A pasta afirma que "dezenas de unidades nunca foram usadas em condições de combate".

Além disso, as forças russas também receberam mais de 2.500 toneladas de munições e cerca de 20.000 armas pequenas. Ainda segundo a instituição, a operação de entrega do arsenal realizada em regiões de retaguarda.

A transferência de armas do grupo de mercenários para o exército regular russo começou após o fim da rebelião promovida pelo chefe do Wagner, Yevgueny Prigozhin, em 23 e 24 de junho. 

Continua após publicidade

::Saiba quem é o russo Yevgueny Prigozhin, líder mercenário e paramilitar do Grupo Wagner::

Em 26 de junho, o presidente russo, Vladimir Putin, sugeriu que os combatentes do Wagner assinassem um contrato com o Ministério da Defesa ou outras agências de aplicação da lei, retornassem para suas famílias ou partissem para a Belarus. No dia seguinte, o Ministério da Defesa anunciou os preparativos para a transferência das armas do batalhão paramilitar para as tropas regulares da Rússia.

Ao mesmo tempo, no momento não está claro onde se encontra Yevgeny Prigozhin e qual será o seu destino. Apesar do acordo para a resolução da crise prever a sua ida para Belarus, o próprio presidente do país, Alexander Lukashenko, declarou na última quinta-feira (6), que ele estava na Rússia. 

Outra incógnita que permanece é a condição do comandante das Forças Aeroespaciais e vice-chefe do Estado-Maior do exército russo, Serguei Surovikin, que não aparece em público desde o motim do Wagner. 

Anteriormente, foi publicado pelo portal Verstka que Surovikin foi detido pelo Serviço Federal de Segurança (FSB) sob suspeita de envolvimento na organização da rebelião, mas ainda não teria sido feita nenhuma acusação contra ele. O Financial Times também informou sobre a suposta detenção do general, e a agência Bloomberg relatou que ele foi interrogado por vários dias sobre seus laços com Yevgeny Prigozhin.

Nesta quarta-feira (12), o chefe do Comitê de Defesa da Duma, Andrei Kartapolov, disse que Surovikin "está descansando" e está "indisponível".

Edição: Patrícia de Matos