economia

Argentina realiza eleições primárias em meio à crise e reaproximação com o Brasil

Novo presidente pode aprofundar relações com governos brasileiro e chinês ou realinhar país com FMI

Brasil de Fato | Curitiba (PR) |
Eleição presidencial de 2023 vai definir o substituto de Alberto Fernández na Casa Rosada - Casa Rosada/ Presidência da Argentina

Eleitores argentinos vão às urnas neste domingo (13) registrar seus votos naquela que pode ser considerada a primeira rodada das eleições presidenciais do país. As chamadas "primárias" são a parte do processo eleitoral em que todos os partidos, simultaneamente, definem, por meio do voto, seus candidatos à Presidência. Por mobilizar todo o país, elas servem como prévia do primeiro turno da eleição geral, marcado para o dia 22.

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Até lá, o debate entre políticos na Argentina deve acirrar-se. E a situação da economia – problema crônico do país há décadas – tende a receber atenção especial de eleitores.

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Calendário das eleições da Argentina:

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. 11 de agosto: primárias;
. 22 de outubro: primeiro turno;
. 19 de novembro: segundo turno.

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Envolto em crises causadas por dívidas públicas contraídas em dólar, a Argentina é um país extremamente instável economicamente. Precisa exportar para que o governo possa arrecadar dólares para honrar com seus compromissos. Por causa dessa necessidade, a cotação da moeda sobe constantemente. A alta do dólar faz com que preços subam internamente, levando a economia à inflação.

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Aproximação com China e Brasil

O atual presidente Alberto Fernández tem buscado enfrentar a falta de dólares aproximando a Argentina da China e do Brasil.

Recentemente, a China forneceu crédito ao governo argentino para que ele pudesse pagar parcelas de um empréstimo contraído pelo ex-presidente Maurício Macri, opositor de Fernández, com o Fundo Monetário Internacional (FMI), em dólares.

"A China deixou de ser só uma parceira comercial e uma investidora. Passou a ser uma emprestadora de última instância, fazendo justamente o papel que o FMI não quis mais fazer", analisa Gilberto Maringoni, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e coordenador do Observatório de Política Externa da instituição.

Já o Brasil tem discutido formas de intensificar o comércio bilateral com o vizinho por meio de uma moeda comum, abrindo caminho para que importações possam ocorrer sem a necessidade da moeda norte-americana. A expansão do comércio internacional sem o uso do dólar, aliás, é uma bandeira do novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é aliado político do atual presidente da Argentina.

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Nem Macri nem Fernández serão candidatos nas eleições presidenciais argentinas. Eles, no entanto, apoiam candidatos alinhados às suas visões. Isso significa que a disputa eleitoral vai definir o rumo da política econômica argentina. E isso pode impactar na forma como a Argentina se relaciona economicamente com o Brasil.

"O governo atual da Argentina tem uma aproximação maior com o Brasil. Existe uma lógica de proximidade Sul-Sul entre governos de partidos de esquerda, enquanto governos de partidos de direita têm a prioridade de um alinhamento com os Estados Unidos", explicou Mauricio Weiss, economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Pré-candidatos a presidente:

. Sergio Massa, ministro de Fernández e candidato do governo
. Horácio Larreta, prefeito de Buenos Aires e opositor do governo
. Patricia Bullrich, ex-ministra da Segurança de Macri
. Javier Milei, candidato da extrema direita
. Myriam Bregman, candidata de esquerda não peronista
. Gabriel Solano, rival de Bregman nas primárias em busca da candidatura

Brasil-Argentina em dados

A Argentina é destino de quase 6% das exportações do Brasil neste ano, segundo dados do governo federal brasileiro. O país é a terceira nação que mais compra produtos brasileiros. Mais do que isso: diferentemente dos maiores compradores – China e Estados Unidos –, a Argentina compra do Brasil muitos produtos industrializados, além de soja.

Esse tipo de exportação é estratégica para o Brasil, pois gera empregos de qualidade no Brasil, contribuindo com o desenvolvimento social e econômico brasileiro.

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A Argentina também produz quase 5% dos produtos importados pelo Brasil. Está em quarto lugar no ranking de maiores importadores neste ano.

Cerca de 35% do que Brasil compra da Argentina são carros e caminhões.

O governo brasileiro tem negociado com o argentino o uso de uma moeda comum para transações comerciais entre os dois países porque espera que, sem a necessidade do dólar, a Argentina possa comprar ainda mais produtos brasileiros.

Maringoni considera que a adoção da moeda comum pode ser um alívio para Argentina. Não seria, porém, uma solução para seus problemas.

Edição: Rodrigo Chagas