Todos os anos, desde o final da década de 80, os professores da rede estadual de educação do Paraná, realizam um ato político relembrando o dia 30 de agosto de 1988 que ficou marcado como um “Dia de Luta e Luto”. Nesta data, os professores faziam greve e sofreram ação violenta da polícia ordenada pelo então Governador Álvaro Dias. Nesta quarta feira, 30, professores, funcionários de escola, aposentados e servidores de outras categorias realizaram uma manifestação durante a sessão da Assembleia Legislativa (ALEP) reivindicando, entre várias pautas, a isenção da contribuição previdenciária para aposentados que recebam até o teto do INSS, estabelecido atualmente em R$ 7.507,49.
Ao relembrar a data, o Secretário Geral da APP Sindicato, o professor Celso Santos, disse que as feridas daquele dia ainda reverberam. “ É um dia triste, mas também marca nossa resistência desde lá quando a categoria foi recebida pelo Álvaro Pias, cobrando o piso dos três salários mínimos. No lugar de negociar, o governo jogou bombas e cavalos para cima dos professores e funcionários de escolas que se manifestavam naquele dia. Então, é um dia de rememorar para que a história não se repita. Infelizmente, às vezes a história se repete, como aconteceu no dia 29 de abril. Todo mundo teve as feridas no corpo, as feridas na alma, mas isso fez com que a categoria utilizasse 30 de agosto como um dia de luta. Então o luto passou a ser não só adjetivo, mas passou a ser verbo, verbo que faz com que a categoria todo ano lute para melhorar a educação, para valorizar,” disse.

Manifestantes na fila aguardando para acompanhar a Sessão na ALEP / Divulgação
Luta dos aposentados
Muitos professores aposentados lotaram as galerias da ALEP e se manifestaram dizendo que com o aumento da contribuição previdenciária estabelecido pela última Reforma da Previdência estadual, a vida está cada vez mais difícil. Vinda do interior do Paraná, a professora aposentada Lucila Menezes, 70, disse que enquanto tiver forças lutará por uma vida mais digna para ela e para quem vem depois. “ A gente veio para cá, assim como sempre viemos nos 30 de agosto. Mas, esse é importante especialmente para nós porque se trata de algo que nem devíamos estar pedindo,” disse.
Antes da última reforma, quem recebia até limite máximo estabelecido para os benefícios do INSS (aproximadamente 6 salários mínimos) era isento de contribuir para o fundo previdenciário. No entanto, o teto foi reduzido para 3 salários mínimos. Este fato, somado à falta de reajuste dos vencimentos, levou a uma drástica diminuição do poder de compra dos aposentados e pensionistas. Em reunião dos representantes da APP Sindicato e aposentados com o líder do governo, deputado Hussein Bakri e os deputados Professor Lemos e a deputada Luciana Rafagnin, ficou definido que um grupo de estudos será constituído entre os deputados para apresentar uma proposta de mudança na legislação previdenciária.

Aposentados presentes logo cedo na manifestação do 30 de agosto / Divulgação
O ato também serviu como oportunidade para trazer outras pautas específicas da educação, tais como à crescente plataformização do ensino, que tem resultado em uma excessiva exposição de telas aos alunos, o pagamento do Piso aos professores aposentados sem paridade e mudanças na carreira dos funcionários das escolas.

