DESIGUALDADE

Mulheres trabalham 11 horas a mais que homens em funções domésticas e não remuneradas

Pesquisa do IPEA mostra que o impacto é maior mesmo quando elas ganham mais no trabalho fora de casa

PEC das Domésticas representou avanços de direitos, mas política econômica força retrocesso
PEC das Domésticas representou avanços de direitos, mas política econômica força retrocesso | Crédito: Foto: Freepik

Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) reafirmou que a carga de trabalho doméstico para as mulheres brasileiras é superior a dos homens e a situação se repete nas atividades relacionadas a cuidados não remunerados.  

O estudo Gênero é o que importa: determinantes do trabalho doméstico não remunerado no Brasil mostra que, apenas por ser mulher, uma pessoa já tem 11 horas a mais desse tipo de atividade na rotina semanalmente. 

Elas também sofrem maior sobrecarga quando há presença de filhos, filhas e idosos e idosas acima de 80 anos na configuração familiar. O impacto das crianças pequenas nas jornadas femininas é o dobro em comparação ao que é registrado na rotina dos homens. 

À medida em que filhos e filhas crescem, esse peso diminui e a chegada da adolescência alivia a carga de trabalho tantos das mães quanto dos pais. No entanto, o estudo aponta que apenas as meninas entre 15 e 18 anos contribuem para a redução das responsabilidades das mães.  

Mulheres trabalham 5 horas a mais e ganham 76% do salário dos homens

Além disso, a presença de outros adultos na casa, fora o casal, ajuda a reduzir o trabalho doméstico masculino, principalmente quando essa terceira figura é uma mulher. Com idosos e idosas acima de 80 anos, a mulher tem em média, 3,5 horas de trabalho a mais por semana. Entre os homens, essa presença não faz diferença na rotina. 

O cenário muda de acordo com a idade das pessoas pesquisadas. Homens mais jovens, com idades entre 18 e 29 anos, participam mais dos trabalhos não remunerados. Embora os dados evidenciem as mudanças comportamentais, a estrutura tradicional de divisão sexual do trabalho no Brasil se mantém.  

Nem mesmo quando as mulheres ganham mais que os homens no trabalho remunerado, a situação muda. Famílias com maior poder aquisitivo contratam bens e serviços que diminuem o peso do trabalho doméstico, mas para elas o impacto não surte efeito, segundo o estudo.  

"Mesmo quando as mulheres respondem pela maior parte da renda dos casais, elas continuam sendo responsáveis pela maior quantidade de trabalho doméstico, comportando-se de forma “tradicional” no espaço doméstico como uma maneira de neutralizar os “desvios” no mercado de trabalho (onde ganham mais que seus companheiros). A educação é um equalizador das relações de gênero, mas seu efeito é também determinado por papéis de gênero e raça”, ressalta a pesquisa. 

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