GUERRA NA PALESTINA

Prazo dado por Israel para evacuação de norte de Gaza acaba; confronto já é o mais mortal

Israel ordenou que civis deixassem área até as 7h deste domingo; temor por invasão terrestre aumenta

Brasil de Fato | Curitiba (PR) |
Foguetes atingem Israel no sul da Faixa de Gaza, em 11 de outubro de 2023. - Saida Khatib / AFP

Terminou às 7h deste domingo (15), no horário de Brasília, o novo prazo dado por Israel para que civis palestinos evacuem o norte da Faixa de Gaza. Com isso, aumenta o temor de que tropas israelenses façam uma invasão terrestre do território sob controle palestino.

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Israel e Palestina estão em confronto desde sábado (7). Desde então, mais de 4 mil pessoas morreram. Foram mais de 2,6 mil em Gaza, segundo balanço palestino; e outras 1,4 mil em Israel, de acordo com autoridades locais.

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O número de mortos é o maior em Gaza em toda a história. Também é o pior em mais de 50 anos no lado israelense.

Israel já lançou cerca de 6 mil bombas na Faixa de Gaza em uma semana. Em média, houve uma explosão a cada 2 minutos de confronto.

Bombardeios israelenses atingiram hospitais, campos de refugiados, prédios residenciais, veículos de imprensa e universidades. Ao menos sete jornalistas já morreram em Gaza.

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A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina estima que 1 milhão de palestinos foram obrigados a deixar suas casas.

Resgate de brasileiros

Na madrugada deste domingo, chegou ao Brasil o quinto voo da operação do governo federal para resgate de brasileiros na área do confronto. O pouso ocorreu por volta das 1h45, no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro.

Estavam a bordo 215 brasileiros, sendo nove bebês de colo. Eles embarcaram em Tel Aviv, em Israel, no sábado.

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Nesta primeira fase da operação já são 916 pessoas resgatadas.

A Presidência da República também destacou um avião para resgatar o grupo de brasileiros que está no lado palestino do confronto. O avião continua em Roma, na Itália, esperando autorização de autoridades egípcias para ir ao Egito.

No sábado, um grupo com 16 brasileiros iniciou o deslocamento para cruzar a fronteira. Eles estavam abrigados na escola católica Rosary Sisters, no norte de Gaza, e seguiram num ônibus fretado pelo governo brasileiro para Khan Yunis, ao sul da Faixa de Gaza. Lá, se juntaram a um outro grupo de cerca de dez brasileiros que têm interesse na repatriação.

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Também no sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou e articulou com presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e com o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, o apoio à retirada de brasileiros que estão tentando deixar a Faixa de Gaza. Quando estiverem no Egito, os brasileiros seguirão para aeroporto que ainda será definido para o traslado final do grupo para o Brasil.

"Os brasileiros que estavam em Gaza conseguiram sair da zona de conflito e chegaram a Khan Yunis, posto de fronteira com o Egito. Agora, vamos esperar que essa fronteira abra. Assim que abrir, imediatamente a gente consegue fazer o nosso pessoal cruzar. Mas, graças a Deus, eles estão longe da parte mais intensa dos bombardeios, que é a parte horte", afirmou o embaixador Alessandro Candeas, chefe do Escritório de Representação do Brasil em Ramallah, na Cisjordânia.

Edição: Raquel Setz