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Expressão Popular republica o livro 'A Questão Palestina' diante de confronto na Faixa de Gaza

A obra reconstrói as origens da guerra no território palestino e os motivos que impediram a implementação de um Estado

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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Organizações internacionais apontam para crimes de guerra, como ataques a civis, bloqueio a acesso a suprimentos básicos e ataques a espaços religiosos - Mahmud Hams/AFP

A editora Expressão Popular lançou novas impressões do livro A Questão Palestina – guerra, política e relações internacionais, do escritor Marcelo Buzetto. A obra estava esgotada, mas com os últimos conflitos na Faixa de Gaza, a editora decidiu reimprimir unidades do livro, que foi lançado originalmente em 2012.  

A obra reconstrói as origens da guerra no território palestino, os motivos que impediram a implementação de um Estado da Palestina e as investidas colonialistas de Israel. Segundo Maura Silva, da comunicação da editora Expressão Popular, "essa é uma obra muito interessante, porque reconstrói as origens da invasão do território palestino, com a criação do Estado de Israel".  

"Um texto que demonstra a política imperialista que invade os territórios, expulsa e assassina populações. Além disso, é uma obra que trata das lutas de resistência do povo palestino ao longo dos anos por meio das mais diversas organizações", afirma Silva. "É um livro fundamental porque nos traz informações precisas e concretas para que a gente possa compreender melhor o caráter genocida da ação imperialista e sionista de Israel contra o povo palestino."


O livro “A Questão Palestina – guerra, política e relações internacionais”, do escritor Marcelo Buzetto, foi lançado em 2012 / Reprodução/Expressão Popular

Lançado em 2012, o livro continua atualíssimo. "Depois de décadas de resistência legítima contra a ocupação israelense", a obra questiona se "ainda é possível acreditar na solução de dois Estados", descreve a sinopse, diante dos sucessivos ataques de Israel contra o território palestino.  

"Membros de um movimento colonialista (o sionismo) criaram o Estado de Israel, em maio de 1948. A partir daí começa o drama dos refugiados palestinos, expulsos de suas terras, vilas, casas, cidades pela força da violência do autointitulado 'Exército de Defesa de Israel'", diz a sinopse. 

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O confronto mais recente teve início em 7 de outubro, quando o grupo palestino Hamas realizou uma ofensiva surpresa contra o governo de extrema direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Em resposta, Israel passou a bombardear a Faixa de Gaza diariamente, além de cortar acesso a água, energia e suprimentos básicos.  

No 17º dia de confronto, nesta segunda-feira (23), o número oficial de mortos chegou a 6.490, sendo 1.403 israelenses e 5.087 palestinos. De acordo com o Ministério da Saúde da Palestina, 40% das vítimas até agora são crianças. Somente nesta segunda, Israel informou que fez 320 novos ataques aéreos, matando 400 palestinos nas últimas 24 horas.  

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Organizações internacionais apontam para crimes de guerra, como ataques a civis, bloqueio a acesso a suprimentos básicos e ataques a espaços religiosos. A Comissão de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado, da Organização das Nações Unidas (ONU), informou que existem "claras evidências" de que o governo de Benjamin Netanyahu está cometendo crimes de guerra.  

A comitiva declarou que está "seriamente preocupada com o mais recente ataque de Israel a Gaza" e com o "cerco total" a Gaza, que envolve bloqueio a água, alimentos, eletricidade, combustível e medicamentos. Para a ONU, "sem dúvida, custará vidas civis e constituirá um castigo coletivo". 

Edição: Thalita Pires