CENTRAL DO BRASIL

População israelense não quer cessar-fogo agora, diz historiador em Israel

João Miragayal diz que população reprova atuação de Netanyahu, mas defende ação militar contra o Hamas

Brasil de Fato| Recife(PE) |
Benjamin Netanyahu é o primeiro-ministro israelense há mais tempo no cargo - Emmanuel Dunand / AFP

Poucas pessoas acreditam, em Israel, que deva haver um cessar-fogo agora e que haja uma perspectiva razoável de futuro diante das circunstâncias do momento na guerra. A opinião é do historiador e apresentador do podcast Do lado esquerdo do muro, João Miragaya. 

Ele vive em Israel e participou ao vivo do programa Central do Brasil desta quarta-feira(01) para apresentar uma perspectiva sobre o que está acontecendo internamente na sociedade israelense em meio ao conflito. 

"O conflito militar precisa trazer algum resultado do ponto de vista de segurança antes que haja um cessar-fogo. Isso não quer dizer que a população apoie a morte de civis, medidas específicas na guerra, a gente não tem pesquisa sobre esse tipo de ação. Mas isso quer dizer que a população, no momento, em sua grande maioria é favorável à continuidade da operação para aniquilar o Hamas", descreveu sobre o clima e a mentalidade entre a população israelense, neste momento. 

O historiador explicou que militares de Israel não pensam em negociar a libertação dos reféns a qualquer custo, sobretudo com a adoção de um cessar-fogo, e costuram a libertação dos reféns por outros meios, acreditando que os ataques contra os palestinos serão eficazes no intuito de resgatar os israelenses reféns do Hamas. 

Até o momento, quase 10 mil pessoas morreram. Só na Faixa de Gaza, segundo informações das autoridades locais nesta quarta-feira(01), já são mais de 8.700 vítimas. 

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Miragaya acredita que, entre outros elementos, o início da tensão revelou a fragilidade de Netanyahu no plano interno. Há, segundo ele, uma significativa divisão política na sociedade após o 7 de outubro. 

"O 7 de outubro escancarou que o governo atual israelense é um fracasso em diversos âmbitos e desta vez ficou muito claro a sua incompetência também no que se refere a cuidar da segurança no país", apontou. 

"Agora, a gente tem que diferenciar, hoje em dia, o apoio da população ao governo, que é muito pequeno - governo é extremamente impopular em todas as pesquisas que são divulgadas até agora -  do apoio da população ao exército e ao combate ao Hamas". 

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Ele também atualizou as informações sobre o que se sabe, até o momento, a respeito da denúncia de que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tinha conhecimento sobre os ataques do Hamas. 

"O que a gente sabe, especificamente, é que o governo tinha informações de movimentações atípicas na Faixa de Gaza e também no sul do Líbano. A gente não sabe se eles foram alertados sobre a data e não sabe exatamente sobre que tipo de informação chegou. O fato é que o governo tinha informações de que alguma coisa estava por acontecer. Agora, é muito cedo para cravar que o governo permitiu que isso acontecesse, sabendo o que aconteceria", concluiu. 

A entrevista completa está disponível na edição desta quarta-feira(01) do Central do Brasil no canal do Brasil de Fato no YouTube. 


E tem mais! 

Nem tão segura assim...

Escolas públicas do Distrito Federal tiveram uma piora na sensação de insegurança após a adoção do modelo de escola cívico-militar. É o que mostra uma pesquisa feita pela Secretaria de Segurança Pública do DF. Mesmo assim, o governo Ibaneis Rocha decidiu manter dezesseis escolas funcionando com gestão compartilhada.

O Central do Brasil é uma produção do Brasil de Fato. Ele é exibido de segunda a sexta-feira, ao vivo, sempre às 12h, pela Rede TVT e por emissoras parceiras. 
 

Edição: Rodrigo Durão Coelho