Massacre

Hospitais em Gaza são cercados e atacados por Israel; seis bebês prematuros morrem devido à falta de energia

Todos os hospitais da província de Gaza, no norte da Faixa de Gaza, deixaram de funcionar por falta de combustível

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Pacientes recebem tratamento no hospital Al-Shifa, maior da Faixa de Gaza na sexta-feira (10) | Crédito: AFP

Os dois maiores hospitais em Gaza se tornaram alvo dos ataques israelenses nos últimos dias. Nesta segunda-feira (13), as Forças de Defesa de Israel (FDI) admitiram que suas tropas dispararam contra a entrada do hospital Al Quds, segundo maior de Gaza, sob a justificativa de que combatentes do Hamas teriam se “incorporado entre os civis”.

O Crescente Vermelho informou nesta segunda ter testemunhado “intensos tiroteios, com a presença de veículos militares israelenses” nos arredores do hospital. “Nossa equipe está presa com pacientes e feridos, sem eletricidade, água ou comida”, informou a organização humanitária em comunicado divulgado em suas redes. 

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Todos os hospitais da província de Gaza, no norte da Faixa de Gaza, deixaram de funcionar, informou nesta segunda o vice-ministro da Saúde de Gaza, Youssef Abou Rich à agência de notícias AFP.

Desde sábado, as tropas israelenses cercaram o maior hospital da Faixa de Gaza, Al Shifa, onde seis bebês prematuros e nove pacientes em cuidados intensivos morreram devido à falta de eletricidade, informou o Ministério da Saúde em Gaza nesta segunda. No sábado, o hospital anunciou que 39 bebês prematuros ainda estavam sendo atendidos e que as enfermeiras realizavam "massagens respiratórias à mão" para mantê-los vivos. 

Tanto o Al Shifa, quanto Al Quds estão sem energia para manter seu funcionamento. Munir al-Bursh, diretor-geral do Ministério da Saúde de Gaza, afirmou no domingo que o Al Shifa foi sitiado pelas tropas israelenses e que os ataques danificaram os geradores elétricos, poços de água, parte da unidade de terapia intensiva, piso da maternidade e posto de oxigênio.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que perdeu contacto com Al-Shifa, enquanto o Al-Quds deixou de funcionar por falta de combustível.

Contexto

O cerne da questão árabe-israelense é a forma como o Estado de Israel foi criado, em 1948, com inúmeros pontos não resolvidos, como a esperada criação de um Estado árabe na região da Palestina, o confisco de terras e a expulsão de palestinos que se tornaram refugiados nos países vizinhos. 

A decisão pela criação dos dois estados foi tomada no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) e aconteceu sem a concordância de diversos países árabes, gerando ainda mais conflitos na região. 

Ao longo das décadas seguintes, a ocupação israelense nos territórios palestinos – apoiada pelos EUA –  foi se tornando mais dura, o que estimulou a criação de movimentos de resistência. Foram inúmeras tentativas frustradas de acordos de paz e, na década de 1990, se chegou ao Tratado de Oslo, no qual Israel e a Organização para Libertação da Palestina se  reconheciam e previam o fim da ocupação militar israelense. 

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O acordo encontrou oposição de setores em Israel – que chegaram a matar o então premiê do país – e de grupos palestinos, como o Hamas, que iniciou sua campanha com homens-bomba. Após a saída militar israelense das terras ocupadas em Gaza, ocorreu a primeira eleição palestina, vencida pelo Hamas (2006), mas não reconhecida internacionalmente. No ano seguinte, o Hamas expulsou os moderados do grupo Fatah de Gaza e dominou a região. 

Em 7 de outubro de 2023, o Hamas lançou sua maior operação até então, invadindo o território israelense e causando o maior número de mortes da história do país, 1,4 mil, além de fazer cerca de 200 reféns. A resposta israelense vem sendo brutal, com bombardeios constantes que já causaram a morte de milhares de palestinos, além de cortar o fornecimento de água e luz, medidas consideradas desproporcionais, criticadas e rotuladas de "massacre" e "genocídio" por vários organismos internacionais.

*Com informações do Diário de Notícias, The Washington Post e Al Jazeera

Editado por: Leandro Melito

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