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Governo quer transformar Unila, em Foz do Iguaçu, na primeira universidade pública binacional do mundo

Paraguai deve dividir responsabilidade sobre instituição de ensino criada em 2010

Brasil de Fato | Curitiba (PR) |

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Obras para construção de campus da Unila, em Foz do Iguaçu, foram retomadas em julho - Valtemir Pereira/Itaipu Binacional

A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) deve ser convertida na primeira universidade pública binacional do mundo. O governo brasileiro estuda a possibilidade de dividir com o Paraguai a responsabilidade sobre a instituição de ensino superior, a qual foi criada por uma lei sancionada em 2010, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda exercia seu segundo mandato.

A Unila fica em Foz do Iguaçu (PR), no polo universitário da cidade. A ideia, contudo, é que seu campus ocupe um terreno dentro da área brasileira da usina hidrelétrica de Itaipu, também em Foz. Itaipu é uma empresa binacional, brasileira e paraguaia.

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Hoje, a Unila é 100% brasileira, mantida com recursos federais. O diretor-geral de Itaipu, ex-deputado federal Enio Verri, disse que o governo do Paraguai também tem interesse numa universidade pública no lado paraguaio da fronteira. Após conversas entre autoridades, disse Verri, ficou definido que a Unila se tornará binacional.

"A pedido do presidente Santiago Penã [do Paraguai], eu levei ao presidente Lula um projeto. A Unila será uma universidade binacional", afirmou Verri, em live promovida pela organização Barão de Itararé, no final do mês passado. "A ideia é que Unila seja a primeira experiência no mundo de uma universidade pública binacional."

Verri disse que, inclusive, a mudança na Unila já foi discutida com o ministro da Educação do Brasil, Camilo Santana (PT). Procurado pelo Brasil de Fato, o Ministério da Educação não se pronunciou.

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A reitoria da Unila, por sua vez, declarou que foi informada recentemente sobre a binacionalização da instituição. Disse que a proposta ainda é “muito embrionária" e, portanto, não tem prazo para entrar em vigor.

A Unila ressaltou também que o assunto é uma "política de Estado, cujo debate se inicia no alto escalão do Governo, entre as Presidências da República, Itamaraty e o Ministério das Relações Exteriores". "No momento oportuno, a Universidade será formalmente comunicada e consultada e, a partir disso, fará, sem dúvida, uma ampla divulgação do processo."

Obras

Em julho, Lula, Verri e Santana estiveram juntos em Foz do Iguaçu anunciando a retomada das obras do campus da Unila. Lula disse que as construções serão concluídas em três anos.

Itaipu Binacional é quem financia o projeto. A empresa investirá R$ 600 milhões no projeto, que inclui a construção de um prédio principal com 18 andares, bloco de salas de aula e um restaurante. Isso viabilizaria a ampliação do número de vagas da universidade.

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A obra começou em 2011 e parou em 2014, quando cerca de 40% do total já havia sido executado. Divergências com a construtora causaram a paralisação.

O projeto do campus, assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, ainda prevê a construção de teatro, biblioteca e laboratórios. Isso, contudo, não tem prazo para sair do papel.

Encontro

O atual campus do Unila sediará entre os dias 22 a 24 de fevereiro a Jornada Latino-americana e Caribenha de Integração dos Povos.

Com convites feitos ao presidente Lula (PT) e ao ex-chefe de Estado uruguaio Pepe Mujica, da Frente Ampla, o objetivo do evento, de acordo com a convocatória, é "realizar um diagnóstico econômico, político e cultural da região", bem como se organizar para os desafios de "um contexto de avanço das direitas em âmbito global".

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O encontro é organizado pela Alba Movimentos, a Organização Continental Latino-americana e Caribenha de Estudantes (Oclae), a Jornada Continental pela Democracia e Contra o Neoliberalismo, a Assembleia Internacional dos Povos (AIP) e a Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas.

Devem participar também Adolfo Pérez Esquivel, arquiteto, artista e ativista argentino, ganhador do Nobel da Paz; João Pedro Stedile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST); e Carol Proner, da Associação Brasileira de Juristas.

Ao longo da jornada, acontecerá também o Festival por Terra, Arte e Pão, organizado pelo MST.

*A matéria foi atualizada às 10h do dia 16/11 para correção da data da Jornada Latino-americana e Caribenha de Integração dos Povos.

Edição: Rodrigo Durão Coelho