ANÁLISE POLÍTICA

Ambiente de oposição a Milei na Argentina é muito forte, aponta especialista

Para professora da ESPM, o novo presidente terá dificuldades de aplicar mudanças prometidas em campanha

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
Javier Milei, acena para seus apoiadores depois de vencer o segundo turno das eleições presidenciais na Argentina. - LUIS ROBAYO / AFP

Na Argentina, a transição de poder começou nesta terça-feira (21). O presidente eleito Javier Milei chegou de manhã à residência presidencial e a previsão é de que ele passe o dia reunido com o atual presidente, Alberto Fernandez.

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No dia anterior, Milei havia feito uma série de anúncios, ele reafirmou o plano de fechar o Banco Central e dolarizar a economia, também prometeu conter a inflação no prazo de um ano e meio a dois anos, privatizar empresas públicas e manter a taxa de câmbio. Milei também afirmou que os primeiros países que ele vai visitar serão Estados Unidos e Israel. Para analisar o que podemos esperar do governo Milei, o Central do Brasil desta terça-feira (21) conversou com Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (Espm).

As propostas de Milei para a economia, como a dolarização e o fechamento do banco central, não são viáveis sem uma coalizão, segundo a professora. “É um dilema que ele vai ter que lidar é primeiro conseguir apoio no Congresso. Ao mesmo tempo, mesmo que ele construa essa colisão, dificilmente ele vai conseguir fazer [as mudanças] no nível de profundidade que ele apresentou durante a campanha.”

A tendência é serem propostas mais moderadas, diz ela. “Como a privatização, a mudança da reforma do Estado, essas têm um apoio principalmente dos grupos ligados ao governo Macri que também têm um viés liberal”, diz.

“Ele tem um ambiente de oposição muito forte. Ele vai ter resistências no Congresso, entre os governadores e uma sociedade bastante ativa que vai também pressioná-lo.”

A especialista ponderou ainda que há uma expectativa de que se estabeleça canais de negociação entre as diplomacias brasileira e argentina mesmo com as diferenças ideológicas dos dois presidentes. “Não há interesse de nenhum dos dois países em um rompimento de relações que poderia ter impactos muito trágicos, principalmente para Argentina no momento de crise e no momento que a questão de comércio é essencial. Não vamos esperar um relacionamento fluido com grandes ações, com grande envolvimento entre os presidentes e mesmo entre as diplomacias, vai ser um relacionamento de se manter o que já tem e provavelmente estabelecer acordos no que é de interesse de cada país.”

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Edição: Rodrigo Durão Coelho