MASSACRE EM GAZA

Milhares vão às ruas de Israel pedir saída de Netanyahu: 'obstáculo para a paz'

Manifestantes querem libertação imediata de reféns e pedem o fim da matança na Faixa de Gaza

Brasil de Fato | São Paulo (SP) | |
Primeiro-Ministro israelense Benjamin Netanyahu - Ronen Zvulun / Pool / AFP

Milhares de pessoas em diversas cidades de Israel foram às ruas no sábado (30) pedir a saída do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e a formação de novo governo. Os manifestantes exigem a libertação dos reféns ainda sob poder do grupo palestino Hamas em Gaza. 

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Manifestantes em Tel Aviv, Jerusalém, Haifa, Be'er Sheva, Cesaréia e outras cidades dizem que Netanyahu seria um um “obstáculo ao acordo”, prometendo persistir até que ele saia do poder.

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“O povo de Israel não esquecerá nem perdoará ninguém que impeça um acordo que os traria [os reféns] de volta para nós. Depois de 176 dias e 4.224 horas, as desculpas acabaram”, disse Shira Albag ao jornal britânico Guardian.

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“Chega de matança, chega de desespero, os reféns são a coisa mais importante", diziam os manifestantes. A polícia israelense usou canhões de água para dispersar as multidões. Ao menos 16 pessoas foram presas nos protestos. 

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Ataque a jornalistas

A TV  egípcia Al-Qahera disse que as negociações para uma trégua, entrada de ajuda humanitária e libertação de reféns seriam retomadas neste domingo. Apesar de a ONU ter aprovado resolução exigindo um cessar-fogo, Israel prossegue com o massacre e não avançou nas negociações com o Hamas.  

Ministros dos Negócios Estrangeiros de Egito, França e Jordânia apelam a um “cessar-fogo imediato e permanente” em Gaza e à libertação de todos os prisioneiros detidos pelo Hamas.

No domingo ainda, militares israelenses atingiram uma tenda para jornalistas dentro do complexo do Hospital Al-Aqsa em Deir el-Balah, no centro de Gaza. O governo de Gaza condena Israel por cometer “um novo massacre ao bombardear as tendas de jornalistas e pessoas deslocadas” no hospital.

O Ministério da Saúde palestino afirma que 77 pessoas foram mortas e 108 feridas nas últimas 24 horas. O ministério afirma que o número total de mortos nos ataques de Israel a Gaza aumentou para 32.782, com 75.298 feridos.

Contexto

O atual massacre israelense na Faixa de Gaza — ou operação militar, como chama Israel — começou em outubro do ano passado, mas as condições no território palestino já eram consideradas "sufocantes" pela ONU antes disso.

O bloqueio israelense de 17 anos — para obrigar o Hamas, partido que ganhou as eleições palestinas em 2006, a abdicar do poder — gerou taxas de desemprego de 45% e insegurança alimentar que atingia 64% da população. A ONU calculava que mais de 80% dos moradores de Gaza dependiam de ajuda externa para sobreviver.

Em 7 de outubro, integrantes do Hamas ingressaram em Israel e realizaram o ataque mais violento já sofrido pelo país, deixando cerca de 1,2 mil mortos e capturando 240 reféns. A resposta do governo Netanyahu foi considerada desproporcional pela comunidade internacional. Bombardeios diários no que é considerado um dos territórios mais densamente povoados do mundo vêm causando a morte de dezenas de milhares de palestinos e destruindo toda a infraestrutura de Gaza.

O número de vítimas fatais ultrapassou 32 mil palestinos — cerca de 70% mulheres e crianças —, com mais de 8 mil pessoas desaparecidas debaixo dos escombros. Foram destruídos 35% dos prédios e praticamente todos os mais de dois milhões de habitantes foram forçados a deixar suas casas.

No outro território palestino ocupado, a Cisjordânia, a violência ilegal praticada por colonos israelenses é diária, com mais de 500 mortos. Desde o início do conflito, milhares de palestinos foram presos e o governo anunciou que outros milhares vão ser detidos este ano.

A ONU alerta para o desastre humanitário, acusando Israel de usar a fome coletiva como arma de guerra e ressaltando a possibilidade real de que centenas de milhares de palestinos venham a morrer por falta de alimentos.

Edição: Rodrigo Durão Coelho