CRESCE O CONFLITO

Rússia diz que ataque israelense contra consulado iraniano é 'inaceitável' e convoca reunião na ONU

Netanyahu diz que negociadores finalizaram proposta para pressionar Hamas em troca de trégua

Brasil de Fato | São Petesburgo (Rússia) e São Paulo (SP) |
Prédio do consulado do Irã na Síria após ataque israelense - AFP

O governo  russo condenou os bombardeios de Israel contra um prédio do consulado do Irã na capital da Síria, Damasco, como "inaceitáveis" e convocou reunião de emergência do Conselho de Segurança (CS) da ONU para a tarde desta terça-feira (2).

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"Condenamos veementemente este ataque ao escritório consular iraniano na Síria. Consideramos categoricamente inaceitáveis ​​quaisquer ataques às instalações diplomáticas e consulares, cuja inviolabilidade é garantida."

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O comunicado russo ainda ressaltou que o ataque foi em área densamente povoada. A reunião pedida pela Rússia será pública – não a portas fechadas – e está marcada para as 16h (horário de Brasília).

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O ataque matou ao menos 11 pessoas, incluindo três sírios e um libanês. Entre os mortos, um dos principais comandantes militares do Irã, Mohammad Reza Zahedi, da Guarda Revolucionária do país.

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O presidente do Irã, Ebrahim Raisi, disse que o ataque "não ficará sem resposta" e que seu país tem o direito de revidar. A reunião convocada pela Rússia atendeu a um pedido de Raisi para que o CS condene Israel.

Ao mesmo tempo em que parece querer expandir o conflito em Gaza para outros países da região, acumulando críticas, o governo do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, sofre também pressão interna cada vez maior. Milhares de israelenses participaram de protestos em Jerusalém exigindo sua renúncia, por falhar em conseguir a libertação dos reféns feitos pelo Hamas em 7 de outubro.

Gaza

Também nesta terça, Netanyahu disse que negociadores israelenses finalizaram nova proposta de trégua e troca de reféns. As negociações ocorreram no Cairo, com mediadores.

"Como parte das negociações, com a mediação útil do Egito, os mediadores formularam uma proposta atualizada a ser abordada pelo Hamas", afirmou por meio de nota o gabinete de Netanyahu, dizendo esperar que os mediadores pressionem o grupo palestino a aceitá-la.

Até agora, o Hamas se manteve firme nas suas principais exigências: retirada total israelense de Gaza e cessar-fogo permanente. Mas Netanyahu descreveu as exigências como "absurdas".

Ajuda bombardeada

Um navio do Chipre que levava ajuda para os palestinos de Gaza foi bombardeado por Israel nesta terça, matando sete de seus tripulantes. 

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Chipre, Theodoros Gotsis, disse que o navio conseguiu entregar 90 toneladas de ajuda antes do ataque. Outras 240 toneladas não foram entregues e voltam ao país.

A ONG responsável pela ajuda, World Central Kitchen, disse que vai suspender suas operações em Gaza e rever protocolos de segurança após o ataque.

O Chipre abriu um dos principais corredores para o envio de ajuda marítima para Gaza, pelo porto cipriota de Larnaca.

Contexto

O atual massacre israelense na Faixa de Gaza — ou operação militar, como chama Israel — começou em outubro do ano passado, mas as condições no território palestino já eram consideradas "sufocantes" pela ONU antes disso.

O bloqueio israelense de 17 anos — para obrigar o Hamas, partido que ganhou as eleições palestinas em 2006, a abdicar do poder — gerou taxas de desemprego de 45% e insegurança alimentar que atingia 64% da população. A ONU calculava que mais de 80% dos moradores de Gaza dependiam de ajuda externa para sobreviver.

Em 7 de outubro, integrantes do Hamas ingressaram em Israel e realizaram o ataque mais violento já sofrido pelo país, deixando cerca de 1,2 mil mortos e capturando 240 reféns. A resposta do governo Netanyahu foi considerada desproporcional pela comunidade internacional. Bombardeios diários no que é considerado um dos territórios mais densamente povoados do mundo vêm causando a morte de dezenas de milhares de palestinos e destruindo toda a infraestrutura de Gaza.

O número de vítimas fatais ultrapassou 32 mil palestinos — cerca de 70% mulheres e crianças —, com mais de 8 mil pessoas desaparecidas debaixo dos escombros. Foram destruídos 35% dos prédios e praticamente todos os mais de dois milhões de habitantes foram forçados a deixar suas casas.

No outro território palestino ocupado, a Cisjordânia, a violência ilegal praticada por colonos israelenses é diária, com mais de 500 mortos. Desde o início do conflito, milhares de palestinos foram presos e o governo anunciou que outros milhares vão ser detidos este ano.

A ONU alerta para o desastre humanitário, acusando Israel de usar a fome coletiva como arma de guerra e ressaltando a possibilidade real de que centenas de milhares de palestinos venham a morrer por falta de alimentos.

 

 

 

Edição: Nicolau Soares