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Júri de bolsonarista que matou tesoureiro do PT em Foz é adiado após bate-boca entre defesa e MP-PR

Advogados do réu abandonaram o julgamento sob alegação de não terem tido acesso ao processo

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Os participantes do evento prestaram uma homenagem ao companheiro Marcelo Arruda, assassinado por um bolsonarista no final de 2022 | Crédito: ASCOM Cut Paraná

O primeiro dia do julgamento de Jorge Guaranho pelo assassinato do petista Marcelo Arruda, previsto para durar três dias, não teve mais que 60 minutos de duração. A sessão, realizada no Fórum Estadual de Justiça de Foz do Iguaçu, foi suspensa após a defesa se retirar. 

Logo no início dos trabalhos, às 9h, cinco dos sete jurados se declararam suspeitos ou impedidos de participar do julgamento. O impasse foi resolvido com a substituição por outros considerados aptos. Do lado de fora do plenário, dezenas de amigos e familiares da vítima aguardavam autorização para acessarem o salão do júri.

Antes mesmo que o público presente entrasse no local, a sessão foi encerrada após o juiz responsável pela causa, Hugo Michelini, indeferir todos os pedidos formulados pelos advogados do réu. Sob alegação principal de cerceamento da defesa, os defensores do bolsonarista acusaram o Ministério Público do Paraná (MP-PR) de agir de maneira "inquisitória".

"O MP se comportou de forma completamente inquisitória. Descumprindo preceitos legais, vindo justificar que documentos necessários para defesa foram aportados com a devida antecedência. Entretanto, tais documentos foram disponibilizados 15 horas antes desta sessão do júri, sem as numerações originárias, o que torna esses documentos inúteis. Temos ampla convicção de que o MP agiu de má fé", afirmou um dos advogados que assistem Jorge Guaranho.

Por sua vez, em meio a interrupções sucessivas dos advogados do réu, o promotor Luíz Marcelo Mafra exigiu, aos gritos, que a defesa ouvisse "calada" sua argumentação. Mafra sustentou que tais demandas apresentadas pela defesa seriam improcedentes, e defendeu a continuidade do julgamento. No mesmo sentido, o juiz responsável indeferiu os pedidos. Neste instante, os advogados do assassino abandonaram a sessão.

"Isso é uma afronta às normas processuais. A defesa se comporta como aquele que é o dono da bola e só permite o jogo se for do seu jeito, caso contrário, não tem partida. O que é lamentável. Fomos surpreendidos com essa postura. Importante ressaltar que isso não muda nada. A verdade está ao nosso favor", defendeu o promotor.

Jorge Guaranho veio do Complexo Penal de Pinhais para acompanhar o julgamento em Foz do Iguaçu. Ele responde à Justiça por por homicídio doloso duplamente qualificado, por motivo fútil – em função da violência política motivada pelo desrespeito às diferenças – e perigo comum, já que os disparos que mataram Marcelo Arruda foram efetuados no local de sua festa de aniversário, e  poderiam ter vitimado os convidados presentes.

Editado por: Mayala Fernandes

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