PDVSA

Venezuela prende ex-ministro do petróleo em operação contra corrupção

Ao todo, 54 pessoas foram presas, incluindo o ex-ministro da Economia e o presidente de um banco digital venezuelano

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela) |
Aissami é acusado de usar seu cargo para enriquecimento ilícito - AFP


O Ministério Público anunciou nesta terça-feira (9) a prisão de Tareck El Aissami, ex-ministro do Petróleo e ex-presidente da estatal petroleira PDVSA. Ele é acusado de participar de um esquema de corrupção.

Segundo o procurador-geral da República, Tarek William Saab, Aissami renunciou ao cargo há 1 ano, estava colaborando com as investigações e, agora, já foram coletadas provas robustas contra ele. Saab disse que a segunda fase da operação PDVSA Cripto produziu evidências que ligam o ex-ministro e outros envolvidos ao esquema de corrupção na estatal. 

Também foram presos o ex-ministro da Economia e ex-presidente do Fundo de Desenvolvimento Social, Simón Alejandro Zerpa, e o presidente do banco digital Bancamiga, Samark López Bello. Eles seriam responsáveis pelas operações financeiras do esquema.

"Este caso começou em março de 2023. Foi possível detectar e desmantelar uma rede de funcionários, muitos deles presidentes da PDVSA , que usavam os seus cargos para realizar operações petrolíferas ilegais. Isso foi feito por meio da cessão de cargas de petróleo bruto à Superintendência Nacional de Criptoativos e a pessoas físicas, sem qualquer tipo de controle administrativo ou garantias, descumprindo os regulamentos de contratação da Petróleos de Venezuela", disse o procurador-geral.

Eles terão que prestar depoimento ainda nesta terça-feira. A primeira fase da operação começou no início de 2023 e revelou o esquema de corrupção.  

Segundo o chefe do MP, Aissami começou o esquema depois que assumiu Comissão Alí Rodríguez Araque, grupo responsável pela reestruturação da estatal venezuelana. Ele teria embarcado petróleo bruto e derivados de petróleo "sem qualquer processo administrativo". Aissami também é acusado de coordenar a abertura de uma empresa intermediária no exterior para comprar esses produtos da PDVSA e revender.

Tarek William Saab disse ainda que 15 navios passaram para a administração de uma empresa no valor de US$ 153 milhões (cerca de R$ 766 milhões). Ao todo, 54 pessoas foram presas e vão responder por traição à pátria, apropriação do patrimônio público, legitimação de capitais, associação criminosa e tráfico de influência. 

Em seu depoimento, o procurador disse que o objetivo do grupo era "implodir a economia nacional, destruir a nossa moeda, empurrar o preço do dólar paralelo para cima e sabotar as políticas econômicas".

Edição: Rodrigo Durão Coelho