Luis Fernando Verissimo, um dos maiores nomes da literatura nacional, morreu na madrugada deste sábado (30), aos 88 anos, em Porto Alegre (RS). Internado desde o dia 11 de agosto em decorrência de uma pneumonia, Verissimo morreu tranquilo “como sempre viveu”, segundo informações da família.
Desde o anúncio, escritores, personalidades do mundo político e artistas vêm manifestando pesar pela morte e celebrando o legado do mestre das palavras.
Em uma postagem na sua conta oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou os “múltiplos talentos” de Veríssimo e enfatizou a criação de personagens inesquecíveis, como o Analista de Bagé, As Cobras e Ed Mort, eternizadas em crônicas, contos, quadrinhos e romances do autor. “Sua descrição bem-humorada da sociedade ganhou espaço nas livrarias e na TV, com a Comédia da Vida Privada. E, como poucos, soube usar a ironia para denunciar a ditadura e o autoritarismo; e defender a democracia. Eu e Janja deixamos o nosso carinho e solidariedade à viúva Lúcia Veríssimo – e a todos os seus familiares”, publicou o presidente.
A ministra da cultura, Margareth Menezes, também se manifestou lamentando a morte de Veríssimo. “Um dos maiores nomes da nossa literatura nos deixou. O Brasil chora hoje. Meus sentimentos a todos”, declarou.
A Academia Brasileira de Letras (ABL) também se manifestou e divulgou nota de pesar pela morte do escritor gaúcho, relembrando sua trajetoria: “De volta ao Brasil, atuou em publicidade, antes de entrar para o jornalismo. No jornal Zero Hora, sua coluna se consolidou como referência. Também foi colunista dos jornais O Estado de S.Paulo e O Globo. Ao longo de sua carreira, publicou mais de 60 livros — entre crônicas, contos, romances, literatura infantil e sátiras políticas — com amplo reconhecimento popular e traduções para diversos idiomas. Obras como O Analista de Bagé, Comédias da Vida Privada e As Mentiras que os Homens Contam o tornaram um dos autores mais queridos e bem-sucedidos do país”.
Apenas com uma frase, o escritor baiano Itamar Vieira Júnior, autor de Torto Arado, resumiu a relevância do cronista em uma postagem nas redes sociais: “Uma lágrima e muitas salvas, Mestre Luís Fernando Veríssimo”.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, destacou na obra de Veríssimo as “sacadas inteligentes e um humor peculiar para falar dos nossos desafios como brasileiros” Ele decretou três dias de luto oficial no estado. “Autor de crônicas inesquecíveis e criador de personagens que se tornaram parte do imaginário brasileiro, Veríssimo deixa um legado que permanecerá vivo em suas palavras, sempre atuais e cheias de sensibilidade e humor”, afirmou o governador gaúcho em postagem.
Em homenagem ao cronista, o senador gaúcho Paulo Paim (PT-RS) também se manifestou, destacando o time de futebol de “coração” de Veríssimo, o Internacional. “Sempre fui seu admirador. Tinha um belo texto, cronista, escrevia com paixão, possuía um humor refinado e um senso político inigualável. Gostava de jazz, tocava saxofone e era apaixonado pelo seu time de coração, o Inter de Porto Alegre. Minha solidariedade e sentimentos aos familiares e amigos”, disse Paim.
Já o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) destacou que Veríssimo “viverá pra sempre em nossas mentes e no imaginário dos gaúchos e gaúchas”. “Nasceu com a herança intelectual, cultural e afetiva de seu pai, Érico, o escritor que soldou, com suas palavras escritas, a nossa identidade de gaúchos. E honrou esta tradição, tornando-se, também ele, um gigante de nossa literatura e de nossa crônica”, publicou. “Seu humor, ao mesmo tempo ferino, perspicaz e doce, nos acariciava o coração e a alma. Seu humanismo foi irretocável”, completou a postagem.
A admiração por Veríssimo também foi exposta pelo dramaturgo e escritor Walcyr Carrasco: “Perdemos um dos grandes da nossa literatura. Luis Fernando Verissimo foi o cronista da vida simples, das emoções humanas mais verdadeiras, do cotidiano que só ele sabia transformar em obra. Um gigante que fez da simplicidade a sua genialidade. Descanse em paz!!”, publicou Carrasco.