Decisão prudente

Sindicato dos Bancários apoia veto do BC à compra do Master pelo BRB

A decisão do BC se deu após análise realizada desde março deste ano; últimas notícias sobre o Master pesaram no parecer

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Acionistas devem se reunir no próximo mês para definir nova gestão do Conselho de Aministração do BRB | Crédito: Divulgação/ BRB

Após a decisão do Banco Central (BC) de rejeitar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), nesta quarta-feira (3), o Sindicato dos Bancários se manifestou sobre o caso. A operação, que estava em análise desde março deste ano pelo BC, era a última etapa regulatória para a sua concretização. O Banco Central, apesar de ter comunicado aos aos investidores do BRB, ainda não se pronunciou oficialmente.

Em nota oficial, o sindicato afirmou que a decisão do BC foi “prudente e visa assegurar a estabilidade e a higidez do sistema financeiro nacional”. A entidade ressaltou sua “total concordância” com o indeferimento, classificando o ato como “devidamente motivado, adequado e oportuno, em defesa da estabilidade do sistema financeiro nacional e da economia popular”.

O sindicato espera que a decisão seja definitiva para proteger o patrimônio público do Distrito Federal e de seus servidores. “Ao preservar os recursos do BRB no interesse coletivo da sociedade, protegendo-os de contágios financeiros e de reputação, que poderiam ser desviados para outros interesses”, destaca a nota.

Entenda a decisão

O diretor do Sindicato dos Bancários, Ivan Amarante, explicou que a decisão técnica do Banco Central foi baseada em notícias recentes da imprensa sobre investigações da Polícia Federal.

“As últimas notícias que saíram na imprensa da operação lançada pela Polícia Federal e outras coisas que já tinham saído e alguns fundamentos que estão presentes nos balanços do Master e do próprio BRB demonstravam, desde então, que existiam fragilidades”, afirmou Amarante.

Recentemente, o Brasil de Fato DF publicou matérias mostrando um possível envolvimento do Banco Master com o crime organizado, investigado na Operação Carbono Oculto da Polícia Federal. A investigação revelou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e fraudes.

Além disso, o Master também é alvo de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sendo acusado de aplicar golpes em aposentados e pensionistas.

Ivan Amarante ressaltou que a decisão do BC se deve, em grande parte, aos esforços do sindicato, além de parlamentares e partidos políticos do DF, como PT, PSB e Psol, que vinham pressionando o Banco Central para barrar a operação diante das graves denúncias deflagradas pela Polícia Federal sobre o Master. 

O deputado distrital Fábio Félix (Psol-DF) protocolou, em 28 de agosto, uma representação no BC contra a negociação, pedindo a suspensão da operação até o fim das investigações da Operação Carbono Oculto.

O distrital Gabriel Magno (PT-DF) também encaminhou ofícios à Polícia Federal e ao Banco Central solicitando a abertura de investigações e a suspensão da compra, devido às delações contra o Banco Master apresentadas na CPMI do INSS.

Resposta do BRB

Em comunicado, a administração do BRB informou que “apresentou solicitação de acesso à íntegra da decisão, com o objetivo de avaliar seus fundamentos e examinar as alternativas cabíveis”. O banco ainda “reitera seu posicionamento de que a transação representa uma oportunidade estratégica com potencial de geração de valor para o BRB”.

Para Ivan Amarante, apesar da posição do BRB, a decisão já foi tomada, mas ainda existem pontos que precisam ser esclarecidos. “Existem situações que precisam ser avaliadas: a compra da carteira que foi feita pelo BRB do Banco Master e todas as outras transações ocorridas”, pontuou.

O sindicato também questiona por que o BRB desrespeitou as normas de regência e anunciou a transação ao mercado sem a prévia e obrigatória autorização legislativa, conforme a Lei das Estatais.

Para a entidade, a operação beneficiava apenas os acionistas do Banco Master. “É fácil afirmar que essa transação interessava a quem encontraria no BRB um porto seguro para equacionar as dificuldades de administrar uma instável estrutura patrimonial”, conclui a nota do sindicato.

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Editado por: Flavia Quirino

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