Solidariedade ativa

Morador do Rio de Janeiro relata tensão no percurso da Flotilha da Liberdade em direção a Gaza: ‘Estado de Israel pode nos atacar’

Frota de mais de 50 barcos saíram de Barcelona em 31 de agosto e se aproxima da Faixa de Gaza

Flotilha internacional
Criada em 2010, Flotilha Global da Liberdade esperava levar ajuda humanitária à Gaza | Crédito: Reprodução/Redes Sociais/Gaza Freedom Flotilha

Após a tentativa frustrada de furar o bloqueio de Israel e levar ajuda humanitária à Gaza em junho, uma nova frota da Flotilha da Liberdade, composta por mais de 50 barcos e com integrantes de 44 países, está a caminho da região. Entre os tripulantes está o argentino e morador do Rio de Janeiro Nico Calabrese, responsável pela coordenação nacional do movimento social de educação popular Rede Emancipa. A missão partiu no dia 31 de agosto de Barcelona, na Espanha.

A iniciativa de criação de uma flotilha global surgiu ainda em 2010 depois de muitas tentativas frustradas de levar ajuda humanitária à Gaza, por conta do bloqueio feito por Israel. “O principal objetivo é abrir um corredor humanitário a partir da nossa chegada em Gaza para que ONGs, diversos governos, organizações possam realizar a solidariedade ativa com a Palestina sem um bloqueio de Israel. E também para chamar atenção para a interrupção dos bombardeios“, explica Calabrese ao Brasil de Fato.

:: Quer receber notícias do Brasil de Fato RJ no seu WhatsApp? ::

E a tensão não está apenas com relação a chegada, mas é uma constante do percurso. Calabrese relata que entre os desafios estão em não saber quais portos poderão ser pontos de parada ou farão algum bloqueio burocrático, além das complicações meteorológicas com ventos fortes e ondas muito grandes. “Bom, e outro grande desafio é constantemente não saber se a gente pode ser atacado, se pode ser impedido de alguma forma por parte do Estado de Israel”, relata. Uma tentativa anterior da flotilha em levar ajuda humanitária foi interrompida por Israel em 9 de junho, quando 11 ativistas foram presos por Israel no Mar Mediterrâneo. Uma preocupação que levou os governos de Espanha e Itália a enviarem barcos de apoio.

Nico Calabrese

A esperança de um novo tratamento está no impacto da Assembleia Geral das Nações Unidas ocorrida entre os dias 23 a 29 de setembro, em Nova York, nos Estados Unidos. Atentos às notícias e aos desdobramentos da campanha, ele conta que os integrantes consideram que a Assembleia incorporou parte da urgência da necessidade do apoio à Gaza quando a maioria das nações deixou o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu discursando em um plenário praticamente vazio. E destacou ainda o discurso do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, com falas concretas para dar apoio à flotilha, assim como as manifestações que ocorreram em Nova York, com a presença do astro de Pink Floyd Roger Waters, do lado de fora da Assembleia, a greve geral na Itália e as manifestações que tomaram as ruas de Berlim, na Alemanha.

Editado por: Vivian Virissimo

|

Newsletter