O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve receber nesta quinta-feira (2) apoiadores da flotilha global Sumud que foi interceptada por militares israelenses. O sequestro, segundo ativistas, ocorreu na quarta-feira (1º). A informação foi dada ao Brasil de Fato pela deputada federal Fernanda Melchionna (Psol – RS).
“Hoje teremos reunião com Mauro Vieira [ministro das Relações Exteriores] e vamos pautar tanto a questão dos nossos camaradas sequestrados quanto medidas mais efetivas do governo brasileiro”, disse ela durante o programa Conexão 1.
“Quero falar da nossa preocupação com os 17 brasileiros que estão, neste momento, sequestrados pelo Estado de Israel. Não existe outro nome. A flotilha é uma missão humanitária que navegava em mares internacionais, respaldada por acordos internacionais, e foi sequestrada pelo Estado criminoso de Israel”, reforçou.
“Estamos sem comunicação com eles. A deputada Luiziane Lins (PT-CE); a presidente do Psol-RS Gabriela Tolotti; a vereadora de Campinas, Mariana Conte (Psol-SP); os ativistas Nico Calabresi e Tiago Ávila e tantos outros estão incomunicáveis. É urgente que o governo exija a integridade física e o retorno dos cidadãos brasileiros.”
Para a deputada, “está mais do que na hora de romper quaisquer relações diplomáticas, econômicas, militares e comerciais com o Estado criminoso de Israel. Não dá para ver um genocídio acontecer há dois anos. Embora haja condenações da comunidade internacional, há falência desses mecanismos e Israel continua matando crianças, mulheres e civis, interceptando a Flotilha, atacando cidadãos do mundo inteiro que tentavam levar remédio e comida para Gaza. As pessoas em Gaza ou morrem de bombas, ou morrem de fome. É limpeza étnica, é genocídio.”
“Quando Lula chama de genocídio é importante, mas precisamos ser consequentes com as palavras e tratar genocidas como devem ser tratados: romper relações e buscar um cerco internacional para parar os crimes em Gaza e garantir que os brasileiros retornem em segurança.”
O Ministério das Relações do Brasil declarou que está em busca de informações sobre os brasileiros que estavam nos barcos interceptados. No entanto, Israel afirmou que disponibilizará informes sobre as pessoas detidas apenas a partir desta sexta-feira (3). Outros 30 barcos ainda seguem rumo à Gaza.
“O governo brasileiro deplora a ação militar israelense, que viola direitos e coloca em risco a integridade física de manifestantes em uma ação pacífica. No contexto dessa operação militar condenável, passa a ser de responsabilidade de Israel a segurança das pessoas detidas”, afirmou a nota oficial do governo federal.
“[O governo] reitera, nesse contexto, exortação pelo levantamento imediato e incondicional de todas as restrições israelenses à entrada e distribuição de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, em consonância com as obrigações de Israel, como potência ocupante, à luz do direito internacional humanitário”, acrescenta.
Além de Lins, também fazem parte da Flotilha os brasileiros Thiago Ávila, membro e organizador da flotilha; Mariana Conti, vereadora de Campinas pelo Psol; Gabi Tolotti, presidente do Psol-RS; Nicolas Calabrese, professor e coordenador da Rede Emancipa no Rio de Janeiro; Bruno Gilga, trabalhador da USP e ativista da CSP-Conlutas; Lisiane Proença, comunicadora popular; Magno Costa, diretor do SINTUSP; Ariadne Telles, advogada popular e militante da luta pela terra na Amazônia; Mansur Peixoto, criador do projeto História Islâmica; Mohamad El Kadri, presidente do Fórum Latino Palestino e coordenador da Frente Palestina de São Paulo; e Lucas Gusmão, ativista internacionalista.
A flotilha é composta por mais de 40 embarcações com 500 participantes de mais de 44 países, incluindo a ativista climática sueca Greta Thunberg e a atriz de Hollywood Susan Sarandon, tornando-se o maior comboio desse tipo liderado por civis na história.
