ARTE DE RESISTÊNCIA

Rafaela Barbosa apresenta a mulher originária na exposição ‘Pampeanas: em nome da mãe, da filha e da neta’

Mostra é itinerante e tem a primeira parada neste sábado (18) em festividade na Vila Jacinto, em Santa Vitória do Palmar

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Rafaela Barbosa traz três representações da mulher ancestral que dialogam muito com a contemporaneidade | Crédito: Foto: Ana Corrêa

A artista plástica Rafaela Barbosa, de Santa Vitória do Palmar, inicia a mostra itinerante Pampeanas: em nome da mãe, da filha e da neta neste sábado (18). A exposição é composta por três peças esculpidas em barro terracota, cada uma representando a mulher originária do Pampa. “Juntas elas constroem uma narrativa que nos lembra que a nossa cultura ancestral e tradicional antes de mais nada é indígena, é mãe, é terra”, comenta a autora.

As peças são personagens de uma história: “O barro que deu forma ao percurso de uma mãe indígena, que partiu da região de Entre Rios, na Argentina, cruzou o rio Uruguai, margeou o rio Negro e levou suas gerações seguintes até os arredores do Taim, Santa Vitória do Palmar”.  

Barbosa transforma essa história sem fronteiras que começa na Argentina, passa pelo Uruguai e continua no Brasil, em arte, “carregando nas suas entrelinhas, silêncios de correntes, de perseguições e violências cometidas pelo colonizador”.

A primeira a se apresentar é Yut, a Mãe, guardiã do Corpo. A obra retrata uma anciã, de braços cruzados e mãos sobre os ombros num gesto de saudação, abrigo e proteção. Seu semblante é calmo e sereno, como quem já testemunhou muitos ciclos se passarem. Na sequencia está Sam, a filha, caçadora das águas. Na mão esquerda, segura uma lança, na direita um peixe, como símbolo de sustento, destreza e luta pela sobrevivência. Paciente e estrategista, ela se equilibra entre o que recebeu da sua mãe e o legado que deixará à filha.

Finalmente, a terceira a ser representada, é Detit, a neta, o vento do destino. Ela sorri, apoiando a cabeça sobre a mão esquerda, enquanto com a direita guarda e protege uma capivara, animal manso e símbolo de convivência pacífica. Representa um futuro próspero, em um tempo em que a ancestralidade originária floresce para o bem e a continuidade do planeta.

“Os nomes de cada uma delas expressam, na língua Charrua, os números um, dois e três, para demarcar a palavra, os corpos e os territórios”, explica Barbosa.

Pampeanas: em nome da mãe, da filha e da neta conta com apoio da Lei Aldir Blanc de Fomento à Cultura, operada a partir do Governo Federal/Ministério da Cultura, chegando aos operadores culturais do estado e localidades. A exposição é itinerante, iniciando neste sábado (18) na festa da comunidade da Vila Jacinto em Santa Vitória do Palmar (RS). De 29 de novembro a 4 de dezembro, estará em Pelotas/RS, no Parque Dom Antonio Zattera, na Feira de Mulheres Empreendedoras Negras e Indígenas (Femeni). Outras datas e locais onde as esculturas serão instaladas poderão ser verificados através das redes sociais da autora.

Quem é a autora?

Rafaela Barbosa, nascida e criada na fronteira do Brasil com o Uruguai, no município de Santa Vitória do Palmar (RS), transita em muitas áreas da arte, porém desde 2019 dedica-se ao trabalho com o barro, modelando e esculpindo com uma linguagem própria, marcada pela força intuitiva de quem aprende no fazer. Artista autodidata, desenvolve suas técnicas de forma experimental revelando uma produção de grande originalidade e qualidade estética. Suas obras podem ser acompanhadas pelo Instagram @esculturas_barrasanta.

A artista reflete em seu trabalho um processo contínuo de reconexão com suas raízes indígenas e uma postura crítica diante dos paradigmas coloniais. Sua trajetória tem como marca e posicionamento a contracultura contemporânea, afirmando em sua arte um instrumento de resistência, pertencimento e descolonização. Uma prática que nasce da terra e retorna à ela. Arte e resistência em nome da vida.

Editado por: Katia Marko

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