Cooperação

Instituto Lula visita China para conhecer estratégias de erradicação da pobreza

Vilas de Henan mostram como investimentos em infraestrutura e capacitação transformam comunidades

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Ivone Silva e Ana Flávia Marques, do Instituto Lula, durante visita a aldeias em Henan, China, em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato sobre políticas de combate à pobreza extrema.

O Instituto Lula esteve na China para conhecer de perto como o país conseguiu erradicar a pobreza. A presidenta do instituto, Ivone Silva, e a diretora, Ana Flávia Marques, visitaram a província de Henan, terceira mais populosa do país, com cerca de 100 milhões de habitantes.

A missão incluiu reuniões com autoridades locais, think tanks e visitas a vilas (ou povoados) que se tornaram referência em desenvolvimento econômico e social.

“Viemos observar de perto como a China conseguiu erradicar a pobreza extrema e quais experiências podem inspirar ações no Brasil”, afirmou Ivone Silva, em entrevista ao Brasil de Fato.

Retrocesso e retomada no Brasil

Durante o governo Bolsonaro, o Brasil voltou ao Mapa da Fome, afetando cerca de 40 milhões de pessoas. Desde 2023, políticas estruturadas do governo Lula tiraram 24,4 milhões de brasileiros da insegurança alimentar, uma redução de 73%, caindo de 15,5% da população para 4,1%.

“O Brasil voltou a sair do mapa da fome. Isso mostra que políticas públicas consistentes podem produzir resultados concretos”, destacou Ivone Silva.

O caminho da China para erradicar a pobreza

A experiência chinesa de redução da pobreza começou com a Revolução de 1949, quando a República Popular da China foi fundada. Na época, mais da metade das terras aráveis estava concentrada nas mãos de poucos proprietários, enquanto a grande maioria dos camponeses possuía menos da metade das terras.

A reforma agrária implementada após a Revolução permitiu que cerca de 300 milhões de camponeses se tornassem proprietários de suas terras, aumentando a produção de alimentos e criando uma base social para a equidade.

“A reforma agrária e os investimentos em educação e infraestrutura foram fundamentais para garantir que o crescimento econômico beneficiasse os mais pobres”, disse Ana Flávia Marques, diretora do Instituto Lula.

Ao longo das décadas seguintes, o país investiu em educação, saúde, ciência, tecnologia e infraestrutura. Entre 1949 e 1978, o analfabetismo caiu de 80% para 22%, e a irrigação e o uso de fertilizantes aumentaram significativamente, fortalecendo a produção agrícola.

Resultados e números impressionantes

A China conseguiu tirar mais de 800 milhões de pessoas da pobreza desde 1980, segundo o National Bureau of Statistics of China, a taxa de pobreza extrema no país caiu de 88% em 1981 para 0,7% em 2015, consolidando a praticamente total erradicação da pobreza extrema no meio rural.

A segurança alimentar também melhorou substancialmente, com menos de 2,5% da população enfrentando subnutrição em 2023, segundo o Global Hunger Index.

“Ficamos impressionados com a escala e a rapidez com que eles conseguiram implementar essas mudanças”, comentou Ivone Silva.

A visita serviu para observar estratégias que poderão inspirar políticas públicas de redução da pobreza no Brasil e na América Latina. | Crédito: Foto: Instituto Lula

O papel do Estado e das políticas locais

O que mais chamou atenção da comitiva brasileira foi o forte papel do governo. Segundo Ana Flávia Marques, o sucesso da China se deve à articulação de políticas sociais, crescimento econômico e programas que atingem diretamente a população mais pobre.

“Observamos que a China combina infraestrutura, capacitação e desenvolvimento local de forma que gera emprego e renda. Para nós, é um exemplo de como pensar políticas públicas que atendam às particularidades de cada região”, concluiu Ana Flávia Marques.

Mesmo idosos e pessoas sem condições de trabalhar recebem assistência mínima, enquanto a maioria da população é estimulada a gerar renda própria e autonomia econômica.

Ivone Silva e Ana Flávia Marques, do Instituto Lula, se reúnem com autoridades da província de Henan, China, para conhecer experiências de combate à pobreza extrema e políticas de desenvolvimento local. | Crédito: Foto Instituto Lula

Visitas às vilas de Henan

A equipe visitou vilas em Zhanghuang, Guyang Chaohua (Xinmi) e Huanggusi. Cada comunidade desenvolve um produto local, transformando recursos e mão de obra em atividades econômicas sustentáveis. Algumas vilas se especializaram em agricultura familiar, outras em educação e comércio local, e até na produção de instrumentos musicais, tornando-se referência nacional.

“O principal é garantir infraestrutura e capacitação, para que a população possa gerar sua própria renda e autonomia”, disse Ivone Silva.

Nas ruas de Zhanghuang, era visível como casas novas, transporte público organizado e internet em funcionamento transformaram o dia a dia dos moradores. Pequenos negócios e cooperativas mostravam que a combinação de estrutura e capacitação pode mudar comunidades inteiras.

Aprendizados para o Brasil

Para a presidenta e a diretora do Instituto Lula, a experiência chinesa reforça que políticas públicas estruturadas podem gerar emprego, renda e autonomia, quando integradas a infraestrutura e capacitação.

“A China consegue integrar capacitação, infraestrutura e desenvolvimento local de forma que gera emprego e renda. Para nós, é um exemplo de como pensar políticas públicas que atendam às particularidades de cada região”, concluiu Ana Flávia Marques.

A visita permitiu observar na prática como comunidades inteiras podem sair da pobreza extrema, consolidando aprendizados que poderão inspirar políticas públicas no Brasil e na América Latina.

Editado por: Nathallia Fonseca

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