A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta quinta-feira (30), em Foz do Iguaçu (PR), que o governo federal vai articular com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), a tramitação conjunta da PEC da Segurança Pública e de novos projetos voltados ao combate ao crime organizado. A reunião está prevista para a próxima semana e faz parte da estratégia do Planalto de acelerar a agenda de segurança pública no Congresso, reativada após a operação policial no Rio de Janeiro que deixou mais de 120 mortos na última terça-feira (28).
“Estou combinando com o presidente Hugo para, na semana que vem, conversarmos sobre o assunto. Além da PEC, há outros projetos de segurança em análise no Congresso, e o presidente Lula avalia enviar uma proposta do Ministério da Justiça para o combate às facções. A ideia é formar um pacote de medidas que tenha tramitação rápida”, declarou a ministra.
Segundo Gleisi, a base do governo está unida em torno da aprovação da PEC e das demais iniciativas em discussão no Legislativo. “Nossa base está bem articulada. O que não sabemos é a reação da direita, que teve uma visão contrária e alega interferência nos estados. Mas o episódio no Rio mostra que, sem integração nacional, não há como enfrentar o crime organizado”, disse.
A ministra defendeu que a segurança pública seja tratada de forma integrada entre União, estados e municípios, com compartilhamento de inteligência e planejamento entre as forças policiais. “Não é saindo, matando a esmo, que vamos resolver o problema. O que precisamos é de operações planejadas, com uso de inteligência e rastreamento do dinheiro das organizações criminosas”, afirmou.
Ao comentar a ação no Rio, Gleisi classificou o episódio como “muito duro” e disse que o governo federal pretende reformular a estratégia de enfrentamento ao crime organizado, priorizando investigações financeiras e operações articuladas. “A polícia tem que trabalhar, e sabemos que, em operações, morre gente. Mas precisamos mudar a forma de combate. Quando se ataca financeiramente as facções, elas perdem a capacidade de se manter no território”, afirmou.
Como exemplo, citou a operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que desmantelou um esquema de desvio e lavagem de combustíveis. “Seguir o dinheiro é o caminho. Na Carbono Oculto, prendemos líderes e fechamos refinarias e postos usados para lavagem. Esse tipo de ação, articulada e planejada, é o que a PEC propõe fortalecer”, afirmou.
Entenda a PEC da Segurança Pública
A Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública (PEC 17/2025) foi enviada ao Congresso em abril e busca dar status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), criado em 2018. O texto prevê integração entre os entes federativos, financiamento estável para o setor e padronização da coleta de dados criminais.
O relator, deputado Mendonça Filho (União Brasil), deve apresentar parecer até o final de novembro, após a conclusão das audiências públicas. A proposta é vista pelo governo como uma das bases do pacote legislativo que será articulado com a Câmara na próxima semana.
Caravana Federativa em Foz
A entrevista foi concedida durante a abertura da Caravana Federativa, realizada nesta quarta e quinta-feira (30 e 31) em Foz do Iguaçu. O evento, coordenado pela Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (SRI), reúne ministérios, órgãos federais e gestores municipais para facilitar convênios, liberar programas e ampliar o diálogo com prefeitos e movimentos sociais.
A edição paranaense conta com 50 estandes de atendimento, oficinas temáticas e fóruns de participação social.

