Nesta sexta-feira (31), ao menos 13 cidades brasileiras terão protestos de rua em resposta à chacina realizada no Rio de Janeiro (RJ), na última terça-feira (28), que resultou em 121 mortos, sendo quatro policiais e 117 moradores de favelas nos complexos do Alemão e da Penha. No Recife (PE), a Articulação Negra de Pernambuco (Anepe) convocou a mobilização para as 16 horas, em frente ao Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo de Pernambuco, no bairro de Santo Antônio, centro da capital.
A convocatória tem o título de chamada geral contra a morte e critica o assassinato de pessoas pretas e pobres por parte do poder público em todo o Brasil. “O fato ocorrido no Rio de Janeiro não é isolado e nem tão raro. Em escalas menores (no que se refere às mortes), observamos a naturalização da matança do povo negro e pobre no país, expressa nos índices de extermínio de nossa juventude. Infelizmente, após um momento de indignação, esses fatos caem no esquecimento da imprensa e da sociedade, naturalizando a matança decorrente de ações policiais”, diz a nota.
O documento da Articulação Negra chama atenção para os dados do Observatório de Segurança Pública na região Metropolitana. “A capital pernambucana tem, percentualmente, o maior índice de pessoas negras mortas pela polícia entre as cidades brasileiras. Nos anos de 2021 e 2022, todas as vítimas fatais da violência policial no Grande Recife eram negras. Considerando todo o estado de Pernambuco, 90% dos mortos por agentes da polícia eram pessoas negras”, diz o texto. A nota também critica o programa governamental Juntos pela Segurança e a qualidade do treinamento da corporação.
O comunicado da Anepe critica a política de combate às drogas e o modelo de segurança pública baseado na repressão. “A ‘guerra às drogas’ é uma guerra contra o povo negro e periférico, autorizada e fomentada por estruturas institucionais, legitimada pelo discurso do combate ao crime e sustentada pelo silêncio e conivência de autoridades. (…) Esse modelo de segurança prioriza a repressão, com investimentos em viaturas, equipamentos e ampliação de efetivos, enquanto falta formação adequada, rigor no monitoramento da letalidade e cuidado e compromisso com a vida da população”, diz o texto.
Mais de 50 organizações da sociedade civil em Pernambuco subscrevem a nota e devem somar forças na manifestação desta sexta-feira. Entidades negras e periféricas, como a Coalizão Negra por Direitos, a Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, o Movimento Negro Evangélico, a Coalizão de Mídias Periféricas, o Grupo Mulher Maravilha (Nova Descoberta), o GRIS Solidário (Várzea), o Coletivo Caranguejo Tabaiares (Ilha do Retiro), além do Fórum Popular de Segurança Pública e da Ouvidoria da Defensoria Pública de Pernambuco e o Coletivo Marcha da Maconha.
Também integram as mobilizações entidades que atuam com crianças, adolescentes e jovens, como o Fórum Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente, o Levante Popular da Juventude, a Juventude Fogo no Pavio, o Movimento da Juventude Indígena de Pernambuco, além de organizações de alcance nacional com atuação no estado, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o Movimento Brasil Popular, partidos políticos como PT, Psol e PSTU. A manifestação é apoiada também pelos mandatos das deputadas Rosa Amorim (PT), Dani Portela (Psol) e da vereadora Jô Cavalcanti (Psol).
