SEGURANÇA PÚBLICA

Movimento negro convoca protesto no Recife contra chacinas nas periferias, nesta sexta-feira (31)

Ato político contra a violência policial nas periferias critica a ‘guerra às drogas’ e tem apoio de mais de 50 entidades

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EDITORS NOTE: Graphic content / Residents carry a dead body on Sao Lucas Square of the Vila Cruzeiro favela at the Penha complex in Rio de Janeiro, Brazil, on October 29, 2025, in the aftermath of Operacao Contencao (Operation Containment). Residents of a favela in Rio de Janeiro lined up more than 50 bodies at a plaza in their low-income neighborhood on Ocotber 29, a day after the bloodiest police operation in the city’s history, AFP reported. (Photo by Pablo PORCIUNCULA / AFP)

Nesta sexta-feira (31), ao menos 13 cidades brasileiras terão protestos de rua em resposta à chacina realizada no Rio de Janeiro (RJ), na última terça-feira (28), que resultou em 121 mortos, sendo quatro policiais e 117 moradores de favelas nos complexos do Alemão e da Penha. No Recife (PE), a Articulação Negra de Pernambuco (Anepe) convocou a mobilização para as 16 horas, em frente ao Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo de Pernambuco, no bairro de Santo Antônio, centro da capital.

A convocatória tem o título de chamada geral contra a morte e critica o assassinato de pessoas pretas e pobres por parte do poder público em todo o Brasil. “O fato ocorrido no Rio de Janeiro não é isolado e nem tão raro. Em escalas menores (no que se refere às mortes), observamos a naturalização da matança do povo negro e pobre no país, expressa nos índices de extermínio de nossa juventude. Infelizmente, após um momento de indignação, esses fatos caem no esquecimento da imprensa e da sociedade, naturalizando a matança decorrente de ações policiais”, diz a nota.

O documento da Articulação Negra chama atenção para os dados do Observatório de Segurança Pública na região Metropolitana. “A capital pernambucana tem, percentualmente, o maior índice de pessoas negras mortas pela polícia entre as cidades brasileiras. Nos anos de 2021 e 2022, todas as vítimas fatais da violência policial no Grande Recife eram negras. Considerando todo o estado de Pernambuco, 90% dos mortos por agentes da polícia eram pessoas negras”, diz o texto. A nota também critica o programa governamental Juntos pela Segurança e a qualidade do treinamento da corporação.

O comunicado da Anepe critica a política de combate às drogas e o modelo de segurança pública baseado na repressão. “A ‘guerra às drogas’ é uma guerra contra o povo negro e periférico, autorizada e fomentada por estruturas institucionais, legitimada pelo discurso do combate ao crime e sustentada pelo silêncio e conivência de autoridades. (…) Esse modelo de segurança prioriza a repressão, com investimentos em viaturas, equipamentos e ampliação de efetivos, enquanto falta formação adequada, rigor no monitoramento da letalidade e cuidado e compromisso com a vida da população”, diz o texto.

Mais de 50 organizações da sociedade civil em Pernambuco subscrevem a nota e devem somar forças na manifestação desta sexta-feira. Entidades negras e periféricas, como a Coalizão Negra por Direitos, a Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, o Movimento Negro Evangélico, a Coalizão de Mídias Periféricas, o Grupo Mulher Maravilha (Nova Descoberta), o GRIS Solidário (Várzea), o Coletivo Caranguejo Tabaiares (Ilha do Retiro), além do Fórum Popular de Segurança Pública e da Ouvidoria da Defensoria Pública de Pernambuco e o Coletivo Marcha da Maconha.

Também integram as mobilizações entidades que atuam com crianças, adolescentes e jovens, como o Fórum Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente, o Levante Popular da Juventude, a Juventude Fogo no Pavio, o Movimento da Juventude Indígena de Pernambuco, além de organizações de alcance nacional com atuação no estado, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o Movimento Brasil Popular, partidos políticos como PT, Psol e PSTU. A manifestação é apoiada também pelos mandatos das deputadas Rosa Amorim (PT), Dani Portela (Psol) e da vereadora Jô Cavalcanti (Psol).

Editado por: Vinicius Sobreira

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