Neste sábado (1), a comunidade tradicional da Penha, no litoral sul de João Pessoa, será o cenário da Virada Cultural da Penha, ocupando a Praça Principal com uma intensa programação de manifestações artísticas, oficinas arte-educativas e rodas de debate sobre os efeitos da especulação imobiliária na região. A iniciativa marca o ponto alto da segunda edição do projeto Nos Ritmos da Mãe África, ampliando sua proposta de articulação entre cultura popular e consciência política.

Idealizado por educadores e artistas da própria comunidade, como os professores de capoeira Jeferson Blanka e Aurora, o evento reúne capoeiristas, sambistas, mestres de coco e forró, entre outros arte-educadores, para promover vivências baseadas na educação para as relações étnico-raciais. A proposta é usar as artes populares como instrumentos de formação política e cultural, fortalecendo o debate sobre os direitos das comunidades tradicionais.
Reação ao avanço das construtoras
A Virada Cultural da Penha acontece em um contexto de tensão crescente entre os moradores da região e a empresa N Holanda, responsável por um projeto imobiliário que, segundo a comunidade, avança sem consulta pública e ameaça diretamente a permanência de centenas de famílias. A matéria publicada pelo Brasil de Fato PB em 30 de outubro destaca que o empreendimento propõe uma transformação urbana que pode resultar na expulsão indireta dos moradores, por meio da elevação do custo de vida e da descaracterização da Penha como território tradicional.
Quatro eixos de luta: infraestrutura, turismo, meio ambiente e reconhecimento
Segundo Jeferson Blanka, a Virada Cultural será o ponto de partida para uma mobilização mais ampla da comunidade. A partir do evento, estão previstas assembleias populares para tratar de quatro eixos prioritários: melhoria da infraestrutura básica, desenvolvimento do turismo comunitário, homologação da reserva ambiental da Penha e ampliação do reconhecimento oficial de comunidade tradicional para áreas como Alto Penha e Vila dos Pescadores. “A Penha não está fechada para propostas de desenvolvimento, mas exige que sejam feitas com, por e para a comunidade”, afirma ele.

A organização do evento tem investido fortemente em estratégias de comunicação, com vídeos que já ultrapassam 8 mil visualizações e ações presenciais em programações culturais da cidade. A expectativa é que a Praça Principal da Penha reúna moradores, artistas, ativistas e visitantes em um dia inteiro de samba, capoeira, forró, ijexá, ciranda e outras expressões da cultura popular afro-indígena.
Inspirado em experiências como a do Porto do Capim, o movimento busca consolidar a Penha como um território de resistência frente à voracidade da especulação imobiliária. “Foi nesse contexto que pensamos a Virada Cultural da Penha como um evento de um dia inteiro, histórico, inédito, intenso, com samba, capoeira, forró, coco, ijexá e ciranda. A proposta é atrair todos os públicos, romper as bolhas que cercam essas manifestações da cultura popular e, como ocorreu no Porto do Capim, levar João Pessoa inteira para a Penha. A ideia é iniciar um processo profundo, radical e massivo de conscientização e pressão popular pela retirada das construtoras que ameaçam a região.”
Confira a Programação
- 9h as 12h – Na Sede Social do SINTESP-PB – Oficinas de capoeira com Mestre Ligeirinho, Mariana Sanfer e Djavan Cayman
- 14h30 – Pátio da Igreja da Penha – Batizado e troca de cordas dos alunos do projeto social de capoeira da Penha
- 15h30 – Praça da Penha (em frente ao santuário) – Oficina de dança (Ijexá) com Graduada Sereia Mãe
- Atrações musicais – Praça da Penha (em frente ao santuário):
- 17h – Grupo Raizes
- 18h – Mestra Carminha
- 18h30 – Forró de Fininho
- 20h30 – Mutirão do Samba
Mais informações na página GCBPenha
