O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o massacre no Rio de Janeiro (RJ), que resultou em 121 mortes há uma semana, foi uma operação policial “desastrosa” e defendeu a participação de peritos da Polícia Federal (PF) para garantir uma investigação independente.
“Vamos ver se a gente consegue fazer essa investigação. Porque a decisão do juiz era uma ordem de prisão, não tinha uma ordem de matança, e houve matança”, disse o presidente em entrevista à imprensa internacional nesta terça-feira (4), no Rio de Janeiro (RJ). De lá, o presidente segue para Belém (PA) onde acontecerá a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).
Segundo a Reuters, Lula afirmou que é fundamental compreender as circunstâncias em que as mortes ocorreram.
“Eu acho que é importante a gente verificar em que condições ela [a operação] se deu, porque até agora nós temos uma versão contada pela polícia, contada pelo governo do estado e tem gente que quer saber se tudo aquilo aconteceu do jeito que eles falam ou se teve alguma coisa mais delicada na operação”, continuou.
Lula confirmou que o governo está articulando para que legistas da PF participem do processo de investigação sobre as mortes durante a atividade policial para garantir a independência no processo. O Supremo Tribunal Federal (STF) fará uma audiência nesta quarta-feira (5) para tratar do caso.
A Operação Contenção aconteceu na terça-feira passada (28), nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio. Com a atuação de 2.500 policiais de diversas unidades fluminenses, a ação tinha como objetivo enfraquecer o Comando Vermelho (CV). O alvo da operação seria Edgar Alves Andrade, o Doca, apontado como chefe da facção na região. Contudo, ele segue foragido e o governo Cláudio Castro admitiu o fracasso em não conseguir capturar o criminoso.
Na quarta-feira (29), as comunidades ainda tentavam se recuperar da violenta ação, quando moradores encontraram dezenas de corpos em uma área de mata na Penha, conhecida como Vacaria. Nos dias seguintes, a Ouvidoria da Defensoria Pública do RJ coletou relatos de diversas violações durante a ação. A reportagem do Brasil de Fato acompanhou familiares no processo de identificação de corpos no Instituto Médico Legal (IML), na última sexta-feira (31) e tratou de casos de pessoas que ainda estão desaparecidas.
A Organização das Nações Unidas (ONU) já havia se manifestado favorável a uma investigação independente para “garantir responsabilização pelos fatos, interromper violações de direitos humanos e assegurar proteção a testemunhas, familiares das vítimas e defensores de direitos humanos”.
O governador Cláudio Castro elogiou a operação em diversas oportunidades, classificando-a de “sucesso” e chegou a afirmar que as “únicas vítimas foram os quatro policiais mortos”.
Com informações do G1 e Agência Brasil
