O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, agendou, nesta quarta-feira (5), uma reunião a portas fechadas com parlamentares estadunidenses para prestar esclarecimentos sobre as operações militares contra embarcações no Caribe e no Oceano Pacífico, que já deixaram mais de 60 mortos.
O encontro foi informado pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. A reunião com o chamado “Grupo dos 12”, composto por líderes republicanos e democratas, também contou com a participação de membros dos comitês de inteligência. Os detalhes do encontro não foram divulgados até o fechamento desta reportagem.
A reunião ocorre um dia após o governo Trump realizar um novo ataque a uma embarcação no Pacífico, em uma ação que poderia ser enquadrada como irregular, segundo a legislação estadunidense.
A nova investida foi anunciada na noite desta terça-feira (4) pelo secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth. Sob a justificativa de combate ao narcotráfico na região, mais duas pessoas foram mortas. “Informações de inteligência confirmaram que a embarcação estava envolvida no contrabando de narcóticos, transitando por uma rota conhecida de tráfico de drogas e transportando entorpecentes”, disse Hegseth, que, mais uma vez, não apresentou provas concretas de que os alvos seriam, de fato, narcotraficantes.
Os bombardeios em águas próximas à costa da América do Sul e Central começaram no dia 2 de setembro. Ocorre que a Resolução de Poderes de Guerra, uma lei aprovada em 1973 nos Estados Unidos, determina que o presidente em exercício deve obter a aprovação do Congresso quando as ações militares envolvendo o envio de tropas estadunidenses para “zonas de hostilidades” ultrapassarem o período de 60 dias. O prazo, portanto, teria vencido no início deste mês.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, no entanto, alega que os ataques a embarcações caribenhas não se enquadrariam nessa legislação. De acordo com informações que circulam em diversos veículos estadunidenses, o chefe do Gabinete de Assessoria Jurídica do Departamento de Justiça, Elliot Gaiser, tem conversado com parlamentares para sustentar a tese de que a Resolução de Poderes de Guerra não se aplica neste caso por, segundo o entendimento da administração Trump, não se tratar de uma ação em uma zona hostil.
Risco de escalada
Nesta terça-feira (4) o New York Times publicou uma reportagem em que afirma que Donald Trump tem sido pressionado por seus assessores – sobretudo pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e por Stephen Miller, assessor de segurança nacional, apontado como o arquiteto da política migratória da Casa Branca – a realizar uma investida mais agressiva contra a Venezuela.
A ala mais radical, teria apresentado, segundo o jornal, o mandatário estadunidense teria em sua mesa três propostas: ataques diretos a instalações militares venezuelanas; envio de forças especiais para capturar o presidente Nicolás Maduro; tomar os campos de petróleo do país. Trump, no entanto, ainda não teria tomado uma decisão sobre como proceder – nem se de fato irá realizar qualquer tipo de incursão em território venezuelano.

No domingo (2), Trump disse, em entrevista à rede CBS, que os dias de Maduro “estão contados”. Porém, dias antes, na sexta-feira (31), ele havia dito que não considerava fazer incursões militares na Venezuela durante conversa com jornalistas.
Resposta venezuelana
Nesta terça-feira, durante o 5º Congresso do Partido Socialista Unido da Venezuela, o PSUV, Nicolás Maduro afirmou que, se uma invasão ocorrer, os Estados Unidos teriam de enfrentar uma resistência que vai além da estrutura de seu governo. “Se a Venezuela for atacada, seria uma só voz de um povo unido, toda a América Latina e o Caribe, todos os latino-americanos e caribenhos, em uma só voz de resistência popular e prolongada. São milhões imbuídos na ideia da liberdade anti-intervencionista e anti-imperialista na Colômbia, no Equador, no Brasil, no Peru, no Panamá, na América Central, no México, em Cuba, na Nicarágua e em toda a nossa América Latina caribenha.”
Maduro também fez um agradecimento ao Papa Leão 14, que criticou o envio de embarcações militares estadunideses à costa venezuelana e fez um chamado ao diálogo. “Quero agradecer pronunciamento de hoje do Papa Leão, que pediu diálogo entre os Estados Unidos e Venezuela para buscar soluções e preservar a paz. Obrigado Papa Leão”, disse o mandatário da venezuelano.
