O senador Paulo Paim (PT-RS) caracterizou a votação da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e da criação de um imposto mínimo sobre lucros e dividendos como um “momento grandioso, uma data histórica” no Congresso. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ele disse que a medida “corrige distorções antigas” e representa uma justiça fiscal.
“Nós estamos de fato diante de um grande projeto que faz justiça a quem mais precisa”, afirmou. O texto aprovado aumenta a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil por mês e reduz a cobrança até a faixa de R$ 7.350. “Vai atender àqueles que produzem a riqueza desse país e têm pouco retorno”, explicou.
Paim enfatizou, porém, que o ponto mais estruturante é a tributação de altas rendas. “Pela primeira vez, o país vai tributar lucros e dividendos na fonte”, celebrou. O texto estabelece imposto mínimo de 10% sobre distribuições acima de R$ 50 mil mensais e, para rendimentos anuais acima de R$ 600 mil, amplia o alcance da contribuição. “Ou seja, quem mais ganha, mais paga. Quem ganha pouco terá um alívio que tantos esperavam”, apontou.
Segundo o senador, o impacto financeiro será sentido diretamente no cotidiano das famílias. “Vai fazer o dinheiro circular onde ele mais é necessário, no bolso da população daqueles que mais precisam”, indicou. Ele lembrou ainda que a mudança no IR cumpre promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “É um compromisso com a classe trabalhadora”, pontuou.
Segundo Paim, há acordo para que o projeto não sofra alterações no plenário, evitando retorno à Câmara. “Eu espero, com muita convicção, que hoje mesmo seja isso resolvido”, afirmou. Com isso, o texto segue diretamente para a sanção presidencial nos próximos dias, para que a nova faixa de isenção entre em vigor em 1º de janeiro de 2026. Ele estima que entre 16 e 25 milhões de pessoas no país devem ser beneficiadas.
CPI do crime organizado
Paim também comentou a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, defendendo que o trabalho não seja usado politicamente. “Nós temos que pensar na forma de combater o narcotráfico, a violência, as milícias, o crime organizado”, destacou. Ele também criticou propostas que tentam equiparar facções ao crime de terrorismo. “Querer transformar tudo em terrorismo é um equívoco que poderá entrar para a história como um grande erro”, declarou.
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