Diosdado Cabello

‘Só falar? É pouco’: após críticas da ONU, Ministro do Interior da Venezuela pede ações concretas contra ataques dos EUA

Diosdado Cabello diz que posicionamento da entidade é insuficiente. 'Por que não abrem um julgamento?', questionou

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Diosdado Cabello foi o último presidente da ANC e assumirá como deputado da próxima Assembleia Nacional, assegura que as eleições legislativas só aconteceram pelo trabalho dos constituintes. | Crédito: Reprodução

O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, cobrou ações concretas da ONU para coibir os ataques de Washington contra embarcações que navegam no mar do Caribe e no Pacífico, após o alto comissário para os direitos humanos da entidade, Volker Türk, condenar os bombardeios que já deixaram mais de 60 mortos.

“Certo, e o que a ONU vai fazer? Só falar? Isso é pouco. Por que não abrem um julgamento contra os assassinos? Eles assassinaram seres humanos sem processo legal. Aplicam a lei marcial e os bombardeiam de longe. Falam de drogas, mas ainda não vimos o primeiro grama”, disse na quarta-feira (5), durante seu programa semanal da VTV, a TV estatal venezuelana.

Na semana passada, Türk afirmou que os ataques estadunidenses – classificados por ele como “inaceitáveis”– violam o direito internacional. “Esses ataques, e seu crescente custo humano, são inaceitáveis. Os Estados Unidos devem pôr fim a eles e tomar todas as medidas necessárias para evitar as execuções extrajudiciais de pessoas a bordo das embarcações, independentemente da conduta criminosa que lhes seja imputada.” Ele também pediu uma investigação rápida e transparente.

No começo desta semana, o presidente venezuelano Nicolás Maduro afirmou que o posicionamento de Türk é um “avanço importante”. “Esse é o alto comissário de direitos humanos que os povos do mundo precisam. Com esse Volker Türk vale a pena conversar, dialogar, um homem que defende o direito internacional, os direitos humanos e que esteja contra crimes como estes, que ameaçam a vida dos povos do Caribe“, acrescentou Maduro.

Em julho deste ano, porém, a Assembleia Nacional da Venezuela declarou o alto comissário como persona non grata após a publicação de um relatório que denunciava detenções arbitrárias e violações dos direitos humanos em território venezuelano.

Marco Rubio presta contas

Nesta quarta-feira, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, se reuniu, a portas fechadas, com um grupo de 12 lideranças parlamentares – entre democratas e republicanos – para prestar esclarecimentos sobre as operações militares contra lanchas no Caribe e no Oceano Pacífico.

A reunião, que durou cerca de uma hora, contou ainda com a participação do secretário de Guerra, Pete Hegseth. Os detalhes da conversa não foram divulgados.

O encontro ocorreu em meio ao debate sobre o possível descumprimento da Resolução de Poderes de Guerra, uma lei aprovada em 1973 nos Estados Unidos, que determina que o presidente em exercício deve obter a aprovação do Congresso quando as ações militares envolvendo o envio de tropas estadunidenses para “zonas de hostilidades” ultrapassarem o período de 60 dias. O prazo teria vencido no início deste mês.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, no entanto, alega que os ataques a embarcações caribenhas não se enquadrariam nessa legislação, segundo o entendimento da administração Trump, por não se tratar de ações realizadas em zonas hostis.

Editado por: Nathallia Fonseca

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