A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, vem lucrando com a veiculação de anúncios fraudulentos que atingem milhões de brasileiros, especialmente os mais pobres. A constatação é de um estudo do Projeto Brief, divulgado nesta semana, que analisou 16 mil anúncios sobre empréstimos na biblioteca da Meta, dos quais 52% apresentavam suspeita de golpe e 9% eram fraudes confirmadas.
“O objetivo da Meta é permitir o máximo de anúncios possível na plataforma porque é isso que gera lucro para a empresa”, explica Carolinne Luck, coordenadora executiva da organização Quid, parceira da pesquisa. Segundo ela, 97% do lucro da empresa no último ano veio da publicidade, o que reforça a falta de incentivo para uma moderação mais rigorosa.
Os golpes exploram benefícios sociais como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), utilizando deepfakes (vídeos manipulados por inteligência artificial), logotipos oficiais de bancos e imagens de riqueza para enganar o público. “Essas pessoas, por estarem numa situação de vulnerabilidade financeira, acabam sendo vítimas desses anúncios, que se misturam com conteúdos reais”, detalha Luck.
A pesquisadora alerta que a própria plataforma oferece ferramentas para segmentar o público-alvo dos golpes, permitindo que anúncios falsos sejam direcionados a quem busca termos como “INSS [Instituto Nacional do Seguro Social]”, ou “Bolsa Família”. Nos caso dos anúncios relacionados a benefícios sociais, mais de 60% eram golpes.
Para Luck, a ausência de fiscalização eficiente e a falta de responsabilização da empresa agravam o problema. “Quase não existe moderação. As políticas de segurança funcionam mais como um escudo jurídico que transfere a culpa para o usuário”, afirma. Ela destaca ainda que, mesmo após receber denúncias, anúncios fraudulentos costumam permanecer no ar e voltar com novos perfis.
O Projeto Brief e o laboratório NetLab, parceiro na investigação, defendem que a regulamentação das big techs é essencial para conter o avanço dos golpes digitais, que já atingiram 56 milhões de brasileiros e causaram R$ 40 bilhões em prejuízos nos últimos 12 meses. “Nosso objetivo é trazer luz a esse assunto para que as plataformas sejam responsabilizadas e a legislação seja fortalecida”, conclui Carolinne Luck.
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