SILÊNCIO PROGRAMADO

Sindicato da Polícia Civil do RS reivindica valorização e denuncia monitoramento de mobilização

Ugeirm exige diálogo, aponta represália por adesão à paralisação e cobra recomposição salarial

No audio source provided.
Operação reforça serviços de órgãos e entidades do estado no litoral norte e sul durante a temporada de veraneio | Crédito: Divulgação UGEIRM

Na manhã desta terça-feira (11), o vice-presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores, Investigadores e Comissários de Polícia do Rio Grande do Sul (Ugeirm), Fábio Castro, criticou com veemência um comunicado enviado pela chefia da Polícia Civil do Rio Grande do Sul que solicitava os nomes dos servidores que pretendem aderir à paralisação marcada para esta terça-feira (11). Castro classificou o governo de Eduardo Leite (PSD) como “autoritário” e disse que a “tentativa de reprimir um movimento legítimo de uma categoria que está sufocada” é “uma violência e um ataque brutal”.

O dirigente ressaltou que a convocação — revertida para operação-padrão para evitar punições — busca chamar atenção da sociedade. “O movimento desta terça-feira tinha como objetivo chamar atenção, era um pedido de socorro para a sociedade. Lamentamos profundamente essa postura, que infelizmente não nos surpreende, porque é assim que esse governo costuma lidar com a contrariedade”, afirmou.

Da paralisação à operação-padrão

Inicialmente, a Ugeirm havia anunciado paralisação completa da categoria. No entanto, com o comunicado da chefia solicitando a identificação dos aderentes, a entidade decidiu suspender a paralisação e realizar uma operação-padrão. “Não queremos colocar em risco a carreira dos colegas. Vamos trabalhar como sempre trabalhamos, mas cumprindo estritamente o que a lei determina. Pedimos que todos registrem suas atividades e enviem fotos dos locais de trabalho”, explicou Fábio Castro. A entidade destaca que seguirá mobilizada e pretende continuar denunciando o que denomina “desastre” da atual gestão estadual.

Apoiadores que exigem valorização

Também na defesa dos agentes da Polícia Civil, a Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul (Asdep‑RS ) manifestou estranheza e discordância em relação à decisão da chefia que solicitou, via e-mail, relação de servidores (nome, cargo, ID e lotação) que adeririam à paralisação organizada pela Ugeirm. Em nota, a Asdep considerou a iniciativa como intimidação e apontou que “negar o direito à manifestação pacífica dos servidores é uma atitude antidemocrática e autoritária, especialmente quando mantidas as condições mínimas de prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da população”.

A desvalorização salarial no foco

Segundo os sindicatos, ao longo dos sete anos (dois mandatos) do governo estadual, a categoria recebeu 19,23% de reajuste salarial, enquanto a inflação acumulada no mesmo período se aproxima de 50%. O dado é usado como indicador de desvalorização crônica das carreiras policiais. Para a Asdep e a Ugeirm, essa discrepância compromete não apenas o reconhecimento profissional, mas também a capacidade de manter e atrair força de trabalho qualificada. A situação agrava-se com a declaração do governador Eduardo Leite de que não pretende conceder reajuste à categoria até o fim do mandato, segundo as entidades.

Resistência e institucionalidade em choque

A chefia da Polícia Civil do RS, via o delegado Heraldo Chaves Guerreiro, solicitou listagem de servidores que adeririam à paralisação, o que foi compreendido pelos sindicatos como tentativa de monitoramento. “Isso não vai nos calar nem nos intimidar. Vamos continuar denunciando o desastre que é esse governo autoritário”, disse Castro, que lembrou da manifestação realizada nesta terça-feira (11) por servidores públicos do estado de outras caterogias.

Email recebido pelos servidores | Crédito: Divulgação/Ugeirm

Do lado do governo e da gestão da segurança pública, ainda não há uma resposta oficial à acusação de intimidação ou ao cálculo de reajuste salarial diferenciado.

Infraestrutura e condições de trabalho como pano de fundo

Além da reivindicação salarial, a Ugeirm tem levantado denúncias sobre as condições físicas de trabalho no edifício sede da Polícia Civil. Em outubro de 2025, a entidade encaminhou ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) ofício em que relata infiltrações, alagamentos e riscos no Palácio da Polícia, sede administrativa da corporação. O presidente da entidade, Isaac Ortiz, afirmou que “a UGEIRM permanecerá vigilante e atuante, não se omitindo diante de quadro que ameaça não apenas à categoria policial, mas também a própria sociedade gaúcha”.

Caminhos e desdobramentos

A mobilização prevista para terça-feira (11), convertida em operação-padrão, marca um novo momento de pressão. Segundo os sindicalistas, a sociedade gaúcha deve estar atenta tanto à mobilização quanto às pistas de resolução — seja por meio de negociação salarial, seja pela correção das condições de trabalho.

A reportagem do Brasil de Fato RS entrou em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Civil para solicitar posicionamento sobre as denúncias feitas pela Ugeirm e pela Asdep e aguarda retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

Editado por: Marcelo Ferreira

|

Newsletter