Durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que acontece em Belém (PA), a Associação Brasileira de ONGs (Abong) criou a Casa das ONGs, um espaço voltado à participação popular e à articulação de movimentos sociais nas discussões sobre a crise climática. “A Casa das ONGs foi uma iniciativa que nós pensamos de estabelecer na cidade de Belém, durante esse período da COP, como um reforço, uma complementação da própria Cúpula dos Povos”, explica Henrique Frota, diretor-executivo da Abong.
Segundo ele, o local reúne movimentos da Amazônia, de outras regiões do país e também da América Latina, com mais de 55 atividades, entre oficinas, rodas de conversa, plenárias e painéis. “É uma possibilidade de encontros, um espaço democrático, aberto, inclusivo, que não precisa de credenciamento prévio. As pessoas podem checar a programação e ir lá simplesmente para debater e participar da maneira como queiram”, afirma.
Frota destaca que a programação foi construída de forma colaborativa. “Essa é uma programação criada pelas próprias organizações. Nós abrimos a possibilidade delas proporem os debates que gostariam de fazer, e aí veio uma pluralidade de temas que muitas vezes não têm eco nas negociações oficiais porque são bloqueadas pelos países ou porque efetivamente não constam dentro da agenda de negociações do Acordo de Paris”, explica.
Entre as atividades, está o “Beabá da COP”, voltado a aproximar o público das discussões internacionais. “Explicamos os conceitos mais básicos do que é uma Cúpula do Clima porque, para boa parte da sociedade brasileira, essa é uma realidade muito distante. As negociações internacionais têm uma linguagem própria, com muitas siglas e tecnicalidades. O Beabá da COP é uma espécie de alfabetização sobre os termos e procedimentos que estão sendo discutidos pelos países”, detalha.
Além de promover a formação política e o acesso à informação, a Casa das ONGs também discute o racismo ambiental e justiça habitacional. “A crise climática afeta as pessoas de maneira desigual. Existem padrões na nossa sociedade que determinam quem vai ser mais impactado negativamente e quem não vai ser tão impactado”, destaca Frota.
Ele lembra que populações negras, indígenas, quilombolas e povos tradicionais estão mais expostos aos impactos negativos das mudanças climáticas. “Não é que o meio ambiente é racista, mas as desigualdades sociais baseadas no racismo fazem com que essas pessoas tenham maiores dificuldades e estejam mais vulneráveis. As periferias urbanas, assim como os territórios indígenas, quilombolas e tradicionais, sofrem da mesma estrutura de exclusão: a dificuldade de terem sua terra reconhecida e a segurança da posse”, esclarece.
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