DIREITOS DIGITAIS

Guia anticapacitista de boas práticas digitais é lançado em Porto Alegre para combater violência de gênero

Movimento Feminista Inclusivas propõe internet acessível e sem violências para mulheres com deficiência

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Lançamento do Guia Anticapacitista de Boas Práticas Digitais ocorre neste sábado (15), em Porto Alegre | Crédito: Foto: Divulgação/ Instagram @inclusivassfeminista

O Movimento Feminista Inclusivass, com apoio do Fundo ELAS+, lança o Guia Anticapacitista de Boas Práticas Digitais, um material inovador que busca formar, conscientizar e ampliar o conhecimento sobre o capacitismo digital e a violência de gênero online. O lançamento oficial está marcado para este sábado (15), às 19h, no Clube do Comércio, em Porto Alegre.

A iniciativa, parte do projeto Tecendo Redes Inclusivas Anticapacitistas, surge do compromisso feminista e interseccional de fortalecer a autonomia digital das mulheres com deficiência, garantindo que a internet seja um espaço livre de violências e acessível a todas.

De acordo com as organizadoras o guia é pioneiro no Brasil ao abordar de forma integrada a violência digital de gênero e o capacitismo digital, mostrando como essas opressões se cruzam e impactam profundamente a vida das mulheres com deficiência e mulheres com deficiência LBTs (lésbicas, bissexuais e trans).

Segundo o Censo do Institito Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) de 2022, o Brasil conta com 8,3 milhões de mulheres com deficiência. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2023) aponta que 8,5 milhões de mulheres sofreram stalking no último ano, e 1,5 milhão tiveram imagens íntimas vazadas sem consentimento. Segundo as organizadoras esses sublinham a necessidade do material.

O documento detalha que o capacitismo não é um preconceito isolado, mas um sistema que legitima desigualdades. Quando se cruza com o machismo, o racismo e a LBTfobia, a violência se intensifica. Para as organizadoras o material identifica e descontrói o capacitismo de gênero, que atinge o corpo da mulher e afeta seu direito de existir, reforçando a exclusão em espaços sociais, políticos e afetivos.

“O capacitismo digital se expressa tanto na falta de acessibilidade em sites e aplicativos quanto em discursos que desvalorizam e silenciam pessoas com deficiência”, defendem.

Boas Práticas e Comunicação Anticapacitista

O guia dedica uma seção especial ao capacitismo midiático e propõe caminhos concretos para uma comunicação anticapacitista. O objetivo é orientar a sociedade sobre como identificar, enfrentar e denunciar violências digitais, além de oferecer estratégias de autocuidado e segurança digital.

O material também desmistifica frases capacitistas comuns, como “se expõe na internet sendo deficiente, quer atenção”, e propõe alternativas respeitosas, afirmando o direito das mulheres com deficiência de ocupar os espaços digitais e expressar suas vozes.

Antes do lançamento, acontece a 2ª Oficina Anticapacitista no Digital, com o tema “Segurança Digital e Cuidado Feminista”, facilitada por Eduarda Milena, Walléria Suri e Marilene Veiga, do Coletivo Linhas de POA. A atividade também está marcada para o dia 15 no Clube do Comércio, e será oferecida das 17h às 19h.

A oficina une formação, troca de experiências e expressão artística, com a oficina de técnica de bordado, realizada em parceria com o projeto Linhas de POA. As participantes bordarão palavras e conceitos trabalhados durante o encontro, criando um estandarte simbólico coletivo.

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