O Ministério das Relações Exteriores de Trinidad e Tobago anunciou, nesta sexta-feira (14), uma nova rodada de treinamentos militares dos Estados Unidos em seu território. O arquipélago fica a cerca de 10 quilômetros de distância da costa venezuelana.
“Força de Defesa de Trinidad e Tobago e a 22ª Unidade Expedicionária de fuzileiros navais dos EUA realizarão exercícios de 16 a 21 de novembro”, publicou a pasta em sua conta no X.
“Trinidad e Tobago continua sofrendo o flagelo dos delitos com armas de fogo e da violência de gangues. Esses exercícios intensificados fazem parte da estratégia coordenada do Governo de Trinidad e Tobago para garantir que o pessoal de Defesa esteja capacitado e equipado para enfrentar esses problemas no âmbito nacional, que têm tido um impacto devastador na sociedade”, justificou, em nota, o governo trinitense.
A nota admite, ainda, que o apoio aos Estados Unidos tem rendido investimentos de Washington no país. “Durante esta visita, a embaixada dos EUA também realizará atividades de aproximação com diversas escolas de Trinidad e Tobago. Esta visita ocorre após a doação, em setembro de 2025, de equipamentos de informática, móveis de escritório e recursos educacionais pelo Comando Sul dos Estados Unidos por meio da embaixada dos EUA, assim como melhorias de infraestrutura.”
O anúncio trinitense ocorreu quase simultaneamente ao discurso do presidente venezuelano Nicolás Maduro durante o Encontro de Juristas em Defesa do Direito Internacional, evento que reuniu mais de 100 juristas de 35 países, que denunciaram violações dos Estados Unidos ao direito internacional, por conta da pressão exercida contra Caracas. Durante sua fala, Maduro voltou a pedir, em inglês, “peace, peace, peace. No war, no war [paz, paz, paz. Guerra não, guerra não].”
No fim de outubro, militares estadunidenses já haviam realizado um treinamento militar em Trinidad e Tobago, o que resultou na abertura de uma crise com a Venezuela. À época, o treinamento foi classificado pela vice-presidenta Delcy Rodríguez como uma “provocação hostil” e uma “grave ameaça à paz no Caribe”. Além disso, a Assembleia Nacional da Venezuela declarou a primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, como persona non grata no país. Como resultado da crise, os acordos energéticos entre as duas nações, incluindo a venda do gás venezuelano, foram suspensos.
Nesta quinta-feira (13), um dia antes do comunicado de Trinidad e Tobago, o secretário de Guerra dos EUA, Peter Hegseth, anunciou o início da “Operação Lança do Sul”, cujo objetivo seria o combate ao narcotráfico e a proteção do território estadunidense. Hegseth disse que a operação será liderada pelo Comando Sul. Detalhes sobre como as ações serão levadas adiante não foram informados.
